Blazer 1972 com 1.200 HP: O Projeto Mais Brutal de Lance Coury
Um Chevrolet Blazer 1972 com cara de fábrica esconde 1.200 HP e 850 lb-ft de torque. O projeto de Lance Coury levou 4 anos — e o resultado é perturbador.

Danniel Bittencourt
26/02/2026
O Blazer que o Mercado Não Esperava, mas Merecia
O Chevrolet Blazer 1972 nunca foi um carro tímido. Mas o que Lance Coury, fundador da Thrashin Supply, fez com este exemplar vai além de qualquer restomod que você já viu publicado em revista ou canal de YouTube. Enquanto o mercado de builds clássicos caminha para kits prontos, body kits exagerados e visual que grita modificação em cada ângulo, Coury e o construtor Dell tomaram o caminho oposto: máxima performance, mínima ostentação.
O projeto surgiu de uma desistência. Um cliente de Dell havia abandonado o build com o carro já em metal nu — e Coury enxergou ali uma oportunidade rara. Quatro anos depois, o que resultou desse encontro é um sleeper truck que engana qualquer olhar desavisado e desafia qualquer carro moderno em aceleração. Este não é um Blazer restaurado. É uma declaração.

Paralamas Que Guardam Segredos e Uma Pintura Que Conta a História Certa
À primeira vista, o Blazer 72 de Coury parece apenas muito bem conservado. E é exatamente esse o ponto. O conceito OE+ (Original Equipment Plus) guia cada detalhe da carroceria: sem body kit exagerado, sem spoilers de fibra, sem nada que entregue o que está escondido embaixo do capô.
A pintura é um dos detalhes mais inteligentes do projeto. A cor foi escolhida entre seis a oito opções da paleta GM dos anos 60 e 70, e o resultado é um tom que parece ter saído da linha de montagem da época — mas customizado o suficiente para nunca ter existido assim originalmente. A carroceria recebe acabamento brilhante, enquanto capô e teto ficaram no fosco, criando um contraste visual que é sutil e sofisticado ao mesmo tempo.
Os paralamas traseiros foram alargados (tubbed) para acomodar os pneus 345 Michelin Sport Cup 2 na traseira — mas a intervenção foi feita com tanta delicadeza que, em uma foto, você precisa olhar duas vezes para perceber. As rodas Rotoform de 20 polegadas, originalmente desenvolvidas para carros de passeio, foram adaptadas especialmente ao padrão de furação do caminhão, a pedido de Dell. É um detalhe que a maioria dos olhares vai perder — e que os entendedores vão valorizar demais.
As maçanetas são originais, o porta-malas está na posição de fábrica, os cromados foram mantidos. Os faróis e lanternas seguem o visual de época, sem retrofits modernos. A mensagem visual é clara: nada aconteceu aqui. Mas aconteceu muito.
Ponto a se observar: os pneus traseiros 345 Sport Cup 2 são tão aderentes que coletam pedras em estacionamentos — um inconveniente real para uso cotidiano que vale considerar.

Um Interior que Respeita a Era Sem Abrir Mão do Presente
Entrar no Blazer de Coury é como voltar aos anos 70 com tecnologia discreta injetada nos lugares certos. Os bancos originais foram reconstruídos pela Fat Lies e revestidos em couro azul com um tecido listrado azul no centro dos assentos — uma escolha que remete às interiores clássicas GM sem cair no pastiche.
O banco traseiro recebeu uma modificação cirúrgica: assento abaixado 2 polegadas e encolhido em ambas as dimensões para caber entre os paralamas alargados — mas mantendo a mesma altura dos bancos dianteiros. O resultado é que o passageiro traseiro não percebe que o espaço foi ajustado. Essa é a filosofia do projeto inteira resumida em um banco.
O painel é Dakota Digital — instrumentação digital que imita os mostradores analógicos da época com precisão quase cirúrgica. Quem não sabe, não percebe. Quem sabe, aprecia. O ar-condicionado está presente, o sistema de som tem Bluetooth e subwoofer traseiro, e o acabamento interno usa pintura fosca, criando continuidade com o capô e o teto externos.
Ergonomia e posição de condução foram pensadas para um motorista que vai usar o carro de verdade. A posição de dirigir é alta e confortável, como um truck dos anos 70 deve ser — mas sem a imprecisão que esses carros tinham originalmente.

Conectividade e Acabamento no Nível Certo
Não há um sistema multimídia com tela grande colada no painel. Essa escolha é proposital e acertada. A integração tecnológica foi feita de forma invisível — o som com Bluetooth atende ao uso moderno sem destruir a estética. O Dakota Digital faz o trabalho de informar o motorista sem parecer transplantado de outro universo.
O acabamento interno usa materiais de qualidade real: o couro dos bancos tem acabamento premium, e os detalhes foscos no interior criam uma coerência visual que muitos builds milionários não conseguem atingir. Nada grita caro. Tudo parece certo.
O único ponto que pode dividir opiniões é a ausência de conectividade avançada — sem CarPlay, sem tela de navegação, sem integração total com smartphone. Para quem enxerga isso como ponto negativo, o argumento do projeto é simples: esse não é o carro certo para você.

1.200 HP com Nome no Bloco e Torque que Não Pede Licença
Aqui é onde o Blazer de Lance Coury para de ser apenas bonito e começa a ser assustador. O coração do projeto é um motor 427ci construído sobre bloco Dart, com configuração LS supercharged — e é importante esclarecer: não é um LS3 simples com compressor. É um motor construído do zero sobre um bloco Dart de alta resistência, com geometria e componentes selecionados para suportar potência séria de forma contínua.
Os números são ~1.100 a 1.200 HP no virabrequim e 750 HP às rodas, com 850 lb-ft de torque disponível imediatamente ao pisar no acelerador e mantido em toda a faixa de RPM. Não é torque que aparece em pico e some. É torque que empurra com violência constante.
A transmissão original não sobreviveu à potência — foi substituída por uma 4L80 Stage 6, classificada para até 1.500 HP. O diferencial traseiro é um Curry 9 polegadas com eixo de 35 splines, considerado referência entre construtores de alta performance. O eixo cardan foi reforçado na mesma proporção.
A caixa de ar foi customizada pela Empire Fab, com corte no para-lama para dobrar o tamanho do filtro — mais ar, mais eficiência, sem comprometer o visual externo. O sistema de refrigeração foi completamente aumentado, com ventoinhas brushless de alta performance entregando ~6.000 CFM. O escape tem 3 polegadas em todo o comprimento, com dois silenciadores Borla na traseira, saindo por cima do eixo.
A suspensão usa coilovers ajustáveis nas quatro rodas (dual adjustable), calibrados pelo especialista Nico da Vintage com base no peso real de cada roda. Os freios Bear em todas as rodas receberam sistema hydro boost — substituição necessária do sistema a vácuo original, que simplesmente não era páreo para a potência gerada.
Destaque principal: a combinação de torque imediato, transmissão Stage 6 e diferencial Curry cria uma entrega de potência que a maioria dos supercars modernos não consegue igualar em saída de curva.
Ponto a considerar: os pneus 345 na traseira ainda perdem tração em aceleração abrupta — sinal de que a potência excede o que qualquer pneu de rua consegue absorver completamente.

FICHA TÉCNICA
| Especificação | Detalhe |
|---|---|
| Motor | 427ci Dart LS V8 Supercharged |
| Potência (virabrequim) | ~1.100 – 1.200 HP |
| Potência (rodas) | 750 HP |
| Torque | 850 lb-ft (disponível imediatamente) |
| Transmissão | 4L80 Stage 6 (rated 1.500 HP) |
| Diferencial Traseiro | Curry 9 pol. / eixo 35 splines |
| Suspensão | Coilovers dual adjustable (4 rodas) |
| Freios | Bear (4 rodas) + Hydro Boost |
| Escape | 3 pol. comprimento total / 2x Borla |
| Rodas | Rotoform 20 polegadas |
| Pneus Dianteiros | 285 Michelin Sport Cup 2 |
| Pneus Traseiros | 345 Michelin Sport Cup 2 |
| Chassis | Chop and Block customizado |
| Interior | Dakota Digital / Fat Lies / Couro Azul |
| Duração do Projeto | ~3 a 4 anos |
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Perguntas que Todo Mundo Faz sobre o Blazer de Lance Coury
1. O Blazer 1972 de Lance Coury é usado nas ruas ou é só para pista? O carro foi construído para uso real. Lance o leva para as ruas, mas os pneus Sport Cup 2 traseiros e a potência brutal exigem atenção constante do motorista em condições normais de tráfego.
2. Quanto tempo e dinheiro foram gastos no projeto? O projeto durou cerca de 3 a 4 anos. O valor total não foi divulgado oficialmente, mas builds com esse nível de componentes — bloco Dart, transmissão Stage 6, diferencial Curry e suspensão ajustada por especialistas — facilmente ultrapassam a casa dos 300 a 500 mil dólares.
3. Por que usar um bloco Dart em vez de um LS3 convencional? O bloco Dart oferece resistência estrutural muito superior para suportar potência acima de 1.000 HP de forma sustentada. Um LS3 convencional não foi projetado para trabalhar nesse nível por longos períodos.
4. O visual do carro é totalmente original ou tem modificações visíveis? O conceito é OE+ — original com melhorias discretas. Os paralamas traseiros foram levemente alargados e as rodas são Rotoform de 20 polegadas, mas o conjunto visual é convincentemente próximo do original de fábrica.
5. O sistema de som e ar-condicionado funcionam normalmente? Sim. O carro tem ar-condicionado funcional e sistema de som com Bluetooth e subwoofer, integrados sem comprometer a estética clássica do interior.
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