Mercedes-Benz GLB 2027: tudo sobre o SUV elétrico com 7 lugares e autonomia de 631 km
O Mercedes-Benz GLB 2027 chega com arquitetura elétrica de 800 volts, autonomia de até 631 km e capacidade para sete passageiros — mantendo dimensões compactas para uso urbano.

Danniel Bittencourt
10/04/2026
O fim do EQB e o início de uma nova geração
A Mercedes-Benz apresentou oficialmente o GLB 2027 em dezembro de 2025, encerrando a submarca EQB após apenas alguns anos no mercado. A decisão não foi discreta: a fabricante alemã optou por unificar toda a linha sob o nome GLB, adicionando apenas o sufixo “com Tecnologia EQ” nas versões elétricas.
Isso significa que elétricos e híbridos passam a conviver no mesmo catálogo, sem separação de linha. A propulsão elétrica deixa de ser um produto paralelo e se torna apenas mais uma opção de motor dentro de um modelo já consolidado.
O lançamento comercial está previsto para o final de 2026, com as versões elétricas chegando primeiro. As variantes híbridas devem seguir no início de 2027. A plataforma utilizada é a nova MMA (Mercedes-Benz Modular Architecture), desenvolvida com prioridade para veículos elétricos, mas com flexibilidade para abrigar motores híbridos.
GLB 2027 no Brasil e seus concorrentes
No mercado europeu e norte-americano, o GLB disputa diretamente com BMW iX1, Audi Q3, Audi Q4 e-tron e Volvo EX40. Mas há um ponto que o diferencia de todos eles: nenhum desses rivais oferece configuração para sete passageiros.
Com a saída do BMW Série 2 Gran Tourer e a ausência de terceira fileira nos modelos da Audi, o GLB 2027 fica isolado como o único SUV premium europeu compacto com sete lugares.
No Brasil, a análise é diferente. Pelo histórico de preços entre R$ 370.000 e R$ 400.000, o modelo acaba competindo indiretamente com utilitários a diesel como o Toyota SW4, Chevrolet Trailblazer e Jeep Commander. O perfil de comprador do GLB, porém, tende a rejeitar o porte maior e a motorização a diesel, priorizando tecnologia, dirigibilidade urbana e refinamento de uma carroceria monobloco.
O público-alvo principal são famílias em cidades grandes que precisam de espaço para sete pessoas eventualmente, mas não querem um SUV de grande porte no dia a dia.
Design externo que mantém a silhueta quadrada
O GLB 2027 mantém sua carroceria alta e verticalizada, com coluna D quase perpendicular ao solo. Essa escolha não é estética — é funcional. O formato “quadradão” é o que permite a terceira fileira de bancos e os volumes generosos de porta-malas dentro de um comprimento externo de 4.732 mm.
A dianteira foi redesenhada para se aproximar da família CLA. A novidade mais visível é a barra de LEDs contínua que atravessa horizontalmente a frente do capô, conectando os dois faróis em um único traço luminoso. A grade frontal ganhou proporções maiores em relação à geração anterior.
Na traseira, o mesmo princípio se repete: uma faixa de lanternas em LED se estende de ponta a ponta da largura do veículo, criando uma assinatura visual reconhecível e alinhada com outros modelos da marca.
Nas laterais, as rodas foram empurradas para as extremidades da carroceria. Isso encurtou os balanços dianteiro e traseiro e foi necessário para acomodar o pacote de baterias de 85 kWh posicionado entre os eixos. O resultado visual é uma postura mais assentada, com rodas de 18 polegadas nas versões de entrada.
A distância entre-eixos cresceu aproximadamente 60 mm em relação à geração anterior, chegando a 2.888 mm. As superfícies laterais foram suavizadas para reduzir turbulência de ar, e a engenharia aerodinâmica contou com a ajuda da Unidade de Desconexão (DCU) do eixo dianteiro — que elimina o arrasto rotacional do motor frontal quando ele não é necessário.
O teto panorâmico SKY CONTROL é o elemento mais inusitado. O vidro laminado muda de transparente para opaco em 10 milissegundos por comando eletrônico, bloqueando calor e ofuscamento. À noite, 158 pontos de luz integrados ao vidro formam um padrão que imita um céu estrelado.
Interior com três telas e volante com botões físicos de volta
Ao entrar no GLB 2027, o que mais chama atenção é o conjunto MBUX Superscreen: três telas sob um único painel de vidro que vai de coluna a coluna. O painel do motorista tem 10,25 polegadas, enquanto a central de infoentretenimento e a tela do passageiro dianteiro têm 14 polegadas cada.
É importante, porém, destacar uma limitação real: o Superscreen completo — com a tela do passageiro — é item opcional. Versões sem esse pacote chegam com uma lacuna no painel que contrasta com as imagens de catálogo amplamente divulgadas pela marca.
O sistema operacional por trás de tudo é o MB.OS, com a quarta geração da interface MBUX. A plataforma integra inteligência artificial desenvolvida com Microsoft e Google, permitindo comandos de voz conversacionais para ajustar climatização, navegação e iluminação.
O volante marca uma mudança bem recebida: a Mercedes-Benz reintroduziu botões físicos para o controle de cruzeiro adaptativo e um rolete físico para o volume do áudio. Nas gerações recentes, essas funções eram controladas por superfícies capacitivas — solução criticada por exigir atenção visual do motorista.
Os materiais variam entre microfibra DINAMICA, couro sintético MB-Tex e couro natural, dependendo da versão. O console central adota um design “flutuante”, abrindo espaço de armazenamento embaixo.
O espaço interno cresceu com o novo entre-eixos. A segunda fileira ganhou 68 mm a mais de espaço para as pernas. O deslizamento longitudinal dos bancos traseiros é padrão nas versões de sete lugares e opcional nas de cinco.
A terceira fileira continua presente e retrátil. Mas a aerodinâmica cobrou um preço pequeno: o espaço para a cabeça nessa fileira caiu 2,5 mm em relação à geração anterior. Para crianças, irrelevante. Para adultos de maior estatura, pode gerar algum desconforto.
O sistema de som opcional Burmester® 3D agora processa áudio em Dolby Atmos, e o isolamento acústico foi reforçado com espumas fonoabsorventes nas portas e estrutura — essencial em elétricos, onde a ausência do ruído do motor torna os sons de vento e pneus mais perceptíveis.
Motores elétricos, híbrido e carregamento de 800 volts
O GLB 2027 elétrico chega em duas versões. O GLB 250+ usa um único motor síncrono no eixo traseiro, entregando 272 cv e 335 Nm de torque. O tempo de 0 a 100 km/h é de 7,3 segundos e a autonomia chega a 631 km pelo ciclo WLTP.
O GLB 350 4MATIC adiciona um segundo motor no eixo dianteiro, elevando o conjunto para 354 cv e 515 Nm combinados. O sprint de zero a cem cai para 5,4 segundos, e a autonomia se mantém em 614 km (WLTP) graças à Unidade de Desconexão (DCU): quando o terreno não exige tração integral, o motor dianteiro é desacoplado mecanicamente, eliminando até 90% das perdas por arrasto naquele eixo.
Ambas as versões elétricas têm velocidade máxima limitada eletronicamente a 209 km/h e câmbio com duas marchas na unidade traseira (EDU 2.0) — diferente do câmbio de marcha única comum em elétricos.
A terceira opção é o híbrido leve (MHEV 48V) com motor 1.5L turbo de quatro cilindros, operando no ciclo Miller. O motor a combustão gera cerca de 190 cv, assistido por um motor elétrico de 27 cv integrado ao câmbio. Os dados finais de potência, torque, consumo e aceleração para o GLB especificamente ainda não foram divulgados pela fabricante.
A tecnologia de recarga é o ponto mais relevante da plataforma. O sistema opera em 800 volts, aceitando até 320 kW em corrente contínua. Na prática, isso significa que 10 minutos conectado a uma estação compatível adicionam 260 km de autonomia. Em wallbox doméstico, a recarga em corrente alternada aceita até 9,6 kW.
O peso do conjunto é uma limitação concreta: as estimativas ficam entre 2.125 kg e 2.270 kg, dependendo da versão. Esse número eleva o estresse nos componentes de suspensão e freios ao longo do tempo.
Ficha Técnica
| Item | GLB 250+ Elétrico | GLB 350 4MATIC Elétrico | GLB Híbrido 1.5L MHEV |
|---|---|---|---|
| Motor | PSM elétrico (traseiro) | PSM elétrico (duplo) | 1.5L turbo + elétrico 48V |
| Potência | 272 cv (268 hp) | 354 cv (349 hp) | 190 cv + 27 cv elétrico |
| Torque | 335 Nm | 515 Nm | Não divulgado |
| Câmbio | 2 marchas (EDU 2.0) | 2 marchas (EDU 2.0) | 8F-eDCT (dupla embreagem) |
| Tração | Traseira (RWD) | Integral (AWD + DCU) | 4MATIC (não confirmado) |
| 0 a 100 km/h | 7,3 s | 5,4 s | Não divulgado |
| Vel. máxima | 209 km/h | 209 km/h | Não divulgado |
| Autonomia | 631 km (WLTP) | 614 km (WLTP) | Não divulgado |
| Bateria | 85 kWh (NMC) | 85 kWh (NMC) | 1,3 kWh / 48V |
| Recarga DC | Até 320 kW | Até 320 kW | N/A |
| Recarga AC | Até 9,6 kW | Até 9,6 kW | N/A |
| Peso | 2.125–2.270 kg (est.) | 2.125–2.270 kg (est.) | Não divulgado |
| Dimensões (C×L×A) | 4732×1862×1687 mm | 4732×1862×1687 mm | 4732×1862×1687 mm |
| Entre-eixos | 2.888 mm | 2.888 mm | 2.888 mm |
| Porta-malas frontal | 127 L (frunk) | 127 L (frunk) | Não aplicável |
| Porta-malas traseiro | 480–540 L / até 1.715 L | 480–540 L / até 1.715 L | 480–540 L / até 1.715 L |
| Suspensão | MacPherson (d) / Multi-link (t) | MacPherson (d) / Multi-link (t) | MacPherson (d) / Multi-link (t) |
Leia mais
As dúvidas mais comuns sobre o GLB 2027 respondidas sem enrolação
1. O GLB 2027 terá versão a gasolina ou diesel? Não. As opções são duas versões totalmente elétricas e uma versão híbrida leve (MHEV 48V) com motor 1.5L turbo. Não há versões convencionais a gasolina ou diesel confirmadas para essa geração.
2. O MBUX Superscreen com três telas vem de série? Não. A tela dedicada ao passageiro dianteiro (14 polegadas) é equipamento opcional. Versões sem esse pacote não contam com a tela lateral do painel.
3. O GLB 2027 cabe em garagens de apartamento? Com 4.732 mm de comprimento e 1.862 mm de largura, ele é compacto para a categoria de 7 lugares. A decisão depende das dimensões específicas de cada vaga.
4. Quanto tempo leva para carregar completamente? Em carregadores de 320 kW (DC), 10 minutos adicionam 260 km de autonomia. A carga completa em wallbox doméstico de 9,6 kW levará mais horas — dado exato não divulgado pela fabricante.
5. A terceira fileira é usável para adultos? A fabricante destaca que ela é retrátil e forma piso plano quando dobrada. O espaço para a cabeça caiu 2,5 mm em relação à geração anterior — confortável para crianças, mas potencialmente limitado para adultos de maior estatura.
Análise Final
O GLB 2027 entrega um conjunto técnico acima do que a categoria compacta costuma oferecer. A arquitetura de 800 volts com recarga de 320 kW é o ponto mais concreto: reduz o tempo de abastecimento em viagens a um nível próximo dos combustíveis fósseis. Isso, combinado com autonomia de até 631 km, resolve a principal objeção prática aos elétricos.
A Unidade de Desconexão (DCU) na versão AWD é uma solução engenhosa: mantém a eficiência da tração simples quando o terreno permite e aciona o segundo eixo em milissegundos quando necessário. O resultado é 614 km de autonomia na versão de tração integral — apenas 17 km a menos que a versão de eixo único.
As limitações são reais. O peso entre 2.125 kg e 2.270 kg vai contra a proposta de um compacto ágil. A tela tripla do Superscreen, amplamente usada no marketing do modelo, é item opcional — quem não pagar pelo pacote receberá um painel visualmente incompleto. E o espaço da terceira fileira, apesar de existir, não é generoso para adultos.
Dentro da categoria, o GLB 2027 se posiciona como a opção mais tecnológica e a única com sete lugares entre os SUVs compactos premium europeus. Para famílias urbanas que precisam de espaço eventual para sete pessoas, tecnologia de recarga rápida e dimensões manejáveis, ele não tem rival direto no segmento.
Para quem prioriza leveza, dirigibilidade pura ou busca o menor preço de entrada, os concorrentes com menos tecnologia embarcada e menor peso podem ser mais adequados.
Compartilhe este artigo
Posts relacionados

eK Cross EV 2026: o carro urbano que também pode salvar a falta de energia
A Mitsubishi atualizou o eK Cross EV 2026 no Japão com novo visual, mais recursos no interior e uma tomada de 1.500 watts, reforçando o apelo prático

O Kicks saiu do asfalto — e a versão Rock Creek prova que ele não volta mais
A Nissan revelou o Kicks Rock Creek 2026 com tração integral, sistema híbrido e-Power e visual off-road — versão que pode chegar ainda este ano, mas o

Nissan Kicks 2026 no Brasil: Versões, Preços e Especificações
O Nissan Kicks 2026 chegou como SUV premium, com motor turbo, DCT e telas de 12,3″. Mas a R$ 199 mil no topo, ele realmente vale cada

Transformaram um Jeep comum em uma besta supercharged indomável
Imagine um Jeep Wrangler de 1.500 cv capaz de gastar mais combustível que um tanque de guerra. Conheça os segredos por trás desse insano projeto com motor

Lego e Koenigsegg criam hipercarro em escala real que atinge 111 km/h
A Lego foi além do plástico e colocou um Koenigsegg em escala 1:1 nas pistas. O hipercarro montável atingiu 111 km/h, estabelecendo um novo padrão para réplicas

A BMW R 1300 GS 2026 Chegou: Veja o Que Realmente Mudou na Moto
A BMW R 1300 GS 2026 consolida sua nova geração com o motor boxer de 145 cv e foco em redução de peso estrutural. Descubra os números







