O carro que prepara a suspensão antes do buraco: Mercedes-Benz GLS 2027 em detalhes
O Mercedes-Benz GLS 2027 adota V8 com virabrequim plano pela primeira vez num SUV não esportivo da marca. Com 530 cv, suspensão conectada à nuvem e MBUX Superscreen de série.

Danniel Bittencourt
31/03/2026
Um SUV de família que celebra 140 anos da marca
O lançamento do Mercedes-Benz GLS 2027 não representa uma geração nova do zero. É um segundo facelift profundo da plataforma X167, desenvolvido para estender o ciclo de vida do modelo até o final da década.
O contexto importa: a Mercedes-Benz percebeu que a adoção de SUVs elétricos no segmento ultra-luxo está mais lenta do que o previsto. Isso justificou o investimento em motores de combustão mais eficientes, com conformidade às normas Euro 7.
A revelação oficial ocorreu na primavera de 2026, com produção concentrada na unidade de Tuscaloosa, Alabama — onde a marca recentemente marcou o 5º milhão de SUVs produzidos. As entregas globais estão previstas para o segundo semestre de 2026.
Os concorrentes diretos são BMW X7, Range Rover LWB, Cadillac Escalade e Infiniti QX80. O GLS aposta na integração tecnológica como diferencial frente ao Range Rover e no refinamento europeu como resposta ao Escalade.
O público-alvo são consumidores de altíssimo patrimônio que exigem versatilidade familiar sem abrir mão do conforto de limusine. O modelo serve de base para as variantes Mercedes-AMG e Mercedes-Maybach.
Curiosidade: a decisão do segundo facelift profundo só foi tomada após a Mercedes monitorar que o mercado de SUVs puramente elétricos premium desacelerou. Sem essa observação, a plataforma X167 teria sido aposentada antes.
Design que aposta na estrela de três pontas como elemento visual
O GLS 2027 mantém a silhueta imponente da geração atual, mas concentra as mudanças nos elementos de iluminação e nos detalhes da carroceria. A grade frontal foi redesenhada com moldura cromada mais pronunciada e iluminação de contorno opcional.
Uma novidade de peso: pela primeira vez, a linha GLS oferece a estrela montada no capô — a standing star com iluminação — recurso até então exclusivo do Classe S. Os faróis dianteiros e lanternas traseiras incorporam o motivo da estrela de três pontas nas luzes de LED.
Os faróis Digital Light de nova geração usam micro-LEDs e permitem projetar símbolos de advertência no pavimento. A função de farol alto parcial detecta e “recorta” outros usuários da via para evitar ofuscamento — tecnologia agora homologada para o mercado norte-americano.
As rodas variam de 21 a 23 polegadas conforme a versão. O GLS 450 vem com aro 21; o GLS 580 e o Maybach GLS 600 usam aro 22 como padrão, com opção de 23 polegadas.
Destaque positivo: a integração da estrela de três pontas nos faróis cria uma assinatura noturna distinta, difícil de confundir com qualquer outro SUV no trânsito.
Ponto de crítica: as novas cores MANUFAKTUR são refinadas, mas o visual geral da carroceria permanece conservador para quem esperava uma ruptura de design mais ousada.
Interior digital com três telas e inteligência artificial generativa
O interior do GLS 2027 é redesenhado com o MBUX Superscreen como equipamento de série. A peça única de vidro se estende por quase toda a largura do painel e abriga três displays de 12,3 polegadas cada.
O painel de instrumentos, o display central e a tela do passageiro funcionam de forma independente. A tela do passageiro permite assistir a vídeos sem distrair o motorista, graças a um filtro inteligente de ângulo de visão.
A inteligência artificial integra ChatGPT e Google Gemini ao assistente de voz. O sistema aprende rotinas do usuário: sugere aquecimento de assentos em horários específicos e configura rotas com base no calendário pessoal.
Para produtividade, uma câmera no painel permite videoconferências via Microsoft Teams ou Zoom com o carro parado ou em movimento. O sistema de som Burmester inclui alto-falantes nos encostos de cabeça para criar bolhas de áudio individuais.
Ponto forte: a velocidade de resposta do MB.OS e a IA generativa reduzem a necessidade de menus manuais, tornando o sistema mais intuitivo do que gerações anteriores.
Limitação: a troca de botões físicos por controles de toque no volante exige curva de aprendizado real. Alguns usuários podem se distrair buscando funções que antes eram táteis e imediatas.
V8 com virabrequim plano e sistema que prepara a suspensão antes do buraco
O GLS 450 usa motor 3.0L seis cilindros em linha com turbo e sistema híbrido de 48 volts. A potência é de 375 cv e o torque foi elevado para 560 Nm — 60 Nm a mais que o modelo anterior, o que melhora diretamente a resposta em ultrapassagens com carga.
O GLS 580 é a grande novidade técnica: o motor M177 Evo V8 4.0L adota pela primeira vez um virabrequim plano (flat-plane crankshaft) num SUV Mercedes fora da linha Black Series. O objetivo não é atingir rotações altas como em esportivos, mas otimizar os pulsos de escape e cumprir as metas Euro 7 sem perder desempenho.
Com 530 cv e 750 Nm disponíveis entre 2.500 e 4.500 rpm, o GLS 580 vai de 0 a 100 km/h em 4,6 segundos — expressivo para um SUV de 2,6 a 2,7 toneladas. Esse torque na faixa baixa é ideal para reboques pesados e acelerações em velocidade de estrada.
O câmbio é o 9G-TRONIC de 9 marchas em ambas as versões, com tração integral 4MATIC totalmente variável. Há caixa de transferência real com marcha reduzida de 1:2,93 para uso off-road técnico.
A suspensão a ar AIRMATIC atualizada conta com o Cloud-Based Damping: o carro se conecta à nuvem Mercedes, recebe dados de outros veículos sobre buracos à frente e prepara os amortecedores milissegundos antes do impacto.
O consumo do GLS 580 no ciclo WLTP combinado é de 13,3 a 13,7 l/100km — compatível com o BMW X7 M60i, mas acima do Range Rover com motor seis cilindros. O GLS 450 fica em torno de 10,1 l/100km.
Ponto positivo: o virabrequim plano trouxe uma suavidade de operação incomum para a categoria, sem o ruído estridente associado a motores planos de pista.
Possível limitação: o consumo do V8 é alto para uso urbano cotidiano, o que pode pesar no custo de operação em mercados com tributação elevada sobre combustível.
FICHA TÉCNICA
| Item | GLS 450 4MATIC | GLS 580 4MATIC |
|---|---|---|
| Motor | 3.0L I6 Turbo + 48V Mild Hybrid | 4.0L V8 Twin-Turbo Flat-Plane + 48V |
| Potência | 375 cv @ 5.800–6.100 rpm | 530 cv @ 5.500 rpm |
| Torque | 560 Nm (413 lb-ft) | 750 Nm (553 lb-ft) @ 2.500–4.500 rpm |
| Câmbio | 9G-TRONIC 9 marchas | 9G-TRONIC 9 marchas |
| Tração | 4MATIC Totalmente Variável | 4MATIC Totalmente Variável |
| 0–100 km/h | 6,1 segundos | 4,6 segundos |
| Velocidade Máxima | 250 km/h (limitada) | 210 ou 250 km/h (conforme mercado) |
| Consumo WLTP | ~10,1 l/100km | ~13,3–13,7 l/100km |
| Comprimento | 5.209 mm | 5.209 mm |
| Entre-eixos | 3.135 mm | 3.135 mm |
| Peso | 2.505–2.550 kg | 2.630–2.700 kg |
| Porta-malas | 355 L (7 lug.) a 2.400 L | 355 L (7 lug.) a 2.400 L |
| Tanque | 90 litros | 90 litros |
| Suspensão | AIRMATIC + Adaptive Damping | AIRMATIC ou E-Active Body Control |
| Airbags | Até 15 | Até 15 |
Leia mais
As dúvidas mais comuns sobre o GLS 580 2027 respondidas sem enrolação
O GLS 580 2027 é mais rápido que o modelo anterior? Sim. A potência subiu de 510 cv para 530 cv e o 0–100 km/h passou de 4,9 para 4,6 segundos.
O que é o virabrequim plano no V8 do GLS 580? É um tipo de virabrequim que muda o timing de explosão dos cilindros. No GLS, o objetivo é otimizar os pulsos de escape e cumprir a norma Euro 7 — não elevar a rotação máxima como em esportivos.
A MBUX Superscreen vem de série ou é opcional? De série. As três telas de 12,3 polegadas integradas ao painel são equipamento padrão em todas as versões do GLS 2027.
O GLS 2027 tem capacidade off-road real? Sim. Ele mantém caixa de transferência com marcha reduzida de 1:2,93, além do modo Transparent Hood, que projeta em tela a visão do que está sob as rodas dianteiras.
Qual o consumo do GLS 450 2027? Cerca de 10,1 l/100km no ciclo combinado WLTP, favorecido pelo sistema híbrido de 48 volts.
O GLS 2027 se destaca, mas cobra um preço alto em complexidade
O Mercedes-Benz GLS 2027 entrega avanços reais em três frentes: motor, tecnologia de bordo e suspensão preditiva. São evoluções com impacto direto na experiência de uso, não apenas nas especificações no papel.
O principal ponto negativo é a aposta extrema em software. A dependência de um supercomputador central e de atualizações constantes pode gerar dúvidas legítimas sobre a durabilidade dos sistemas digitais além do período de garantia.
O volume de porta-malas com todos os sete assentos ocupados é menor que o de concorrentes americanos como o Cadillac Escalade. Para famílias que usam as três fileiras com frequência, isso é uma limitação prática.
Dentro da categoria, o GLS 2027 é o modelo mais avançado tecnologicamente. Nenhum concorrente direto combina suspensão baseada em dados de nuvem, IA generativa integrada e motor V8 com virabrequim plano no mesmo pacote.
Para quem busca o melhor equilíbrio entre conforto de berlina, capacidade de sete lugares e tecnologia de ponta, o GLS 2027 é a referência do segmento — com ressalvas sobre custo de manutenção a longo prazo.
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