Mitsubishi ASX VR-e: o que muda do LS ao GSR
O novo elétrico da Mitsubishi anuncia 342 kW e 3,9 s de 0 a 100 km/h na versão GSR. O ASX VR-e é fornecido pela Foxtron e chega à Nova Zelândia em dezembro.
- Danniel Bittencourt
- 27/10/2026
- 8:55 pm

A Mitsubishi prepara para o fim de 2026 um crossover elétrico de dois motores, tração integral e 700 Nm de torque, mas o modelo não será vendido no Brasil, pelo menos até agora. O ASX VR-e é destinado inicialmente à Austrália e à Nova Zelândia, e a versão GSR concentra a principal novidade: 342 kW combinados (cerca de 465 cv), com aceleração declarada de 0 a 100 km/h em 3,9 segundos.
O nome engana quem lembra do ASX vendido por aqui. O VR-e é um carro novo, relacionado ao Foxtron Bria, e não deriva do ASX japonês antigo nem do ASX baseado no Renault Captur. O comunicado global da marca foi publicado em 17 de agosto de 2026.
Ficha técnica do Mitsubishi ASX VR-e
Os dados abaixo seguem a especificação oficial da Nova Zelândia, declarada pela Mitsubishi Motors New Zealand. Não há teste independente dos números de desempenho, autonomia e recarga.
| Item | Dado |
|---|---|
| Propulsão | 100% elétrica |
| LS, XLS e Exceed | Um motor traseiro, tração traseira, 171 kW (cerca de 232 cv) e 350 Nm |
| GSR | Dois motores, tração integral, 342 kW (cerca de 465 cv) e 700 Nm |
| 0 a 100 km/h | 6,8 s (LS, XLS e Exceed) e 3,9 s (GSR), valores declarados |
| Bateria | 57,7 kWh, química LFP (fosfato de ferro-lítio) |
| Autonomia WLTP | LS 403 km, XLS 398 km, Exceed 380 km e GSR 328 km |
| Recarga rápida DC | Até 134 kW; de 10% a 80% em cerca de 30 minutos |
| Regeneração | Cinco níveis e modo One Pedal |
| V2L | Até 3,6 kW, com adaptador acessório |
| Comprimento e entre-eixos | 4.315 mm e 2.800 mm |
| Coeficiente aerodinâmico | Cd de 0,26 |
| Multimídia e painel | Telas de 15,6 e 9,2 polegadas em toda a linha |
| Preços (NZ$, mais despesas de colocação) | LS 57.990, XLS 63.990, Exceed 67.990 e GSR 72.990 |
| Chegada às lojas | Dezembro de 2026 na Nova Zelândia |

GSR: mais desempenho, menos autonomia
A GSR tem o dobro de potência e de torque das versões de um motor. O 0 a 100 km/h cai de 6,8 para 3,9 segundos, ambos os valores informados pela fabricante.
O preço desse ganho está na autonomia. A bateria de 57,7 kWh é a mesma em toda a linha, mas o alcance WLTP da GSR é de 328 km, contra 403 km da LS. Quem prioriza a distância entre recargas tende a olhar para as versões traseiras, e quem quer desempenho paga com quilômetros.
A fabricante não esclareceu se os 57,7 kWh são capacidade bruta ou utilizável. A recarga em corrente contínua chega a 134 kW e é a mesma em todas as versões.
Segundo a Chasing Cars, no modo Sport a distribuição de torque entre os eixos pode ser de 30:70 (dianteiro/traseiro) em curvas dinâmicas, mas de 50:50 em aceleração plena. Não há documento técnico oficial que detalhe toda a estratégia de controle.

Quem faz o quê
A Foxtron Vehicle Technologies, ligada ao grupo Foxconn, fornece o carro por acordo OEM, e a Mitsubishi o comercializa com sua marca. A imprensa automotiva consultada informa fabricação em Taiwan e participação da Pininfarina no design.
A Mitsubishi afirma ter feito testes em vias locais e calibração específica da suspensão. A Chasing Cars acrescenta ajustes de direção e dos sistemas de assistência, desenvolvidos em Lang Lang, na Austrália.
Esse trabalho não permite afirmar superioridade dinâmica antes de testes de condução. A Chasing Cars viu o carro apenas em apresentação estática, e suas observações não comprovam comportamento em estrada.
Versões, equipamentos e preços
Na Nova Zelândia, a gama tem quatro versões com preços sugeridos de NZ$ 57.990 a NZ$ 72.990, acrescidos de despesas de colocação em circulação. Na Austrália, a gama anunciada é LS, Aspire, Exceed e GSR, e o preço ainda não foi confirmado.
Os equipamentos variam por versão. A XLS acrescenta bancos dianteiros aquecidos e ventilados, ajustes elétricos e visão ao redor. Exceed e GSR trazem rodas de 20 polegadas, teto panorâmico, tampa traseira elétrica e áudio de 12 alto-falantes.
A tela central de 15,6 polegadas não eliminou os botões físicos. Na configuração australiana, climatização e desembaçamento mantêm comandos próprios, segundo a WhichCar.
Entre os itens de segurança na Austrália estão frenagem autônoma de emergência, piloto automático adaptativo, assistência de permanência em faixa, monitor de ponto cego e monitoramento do motorista. Não há dados sobre airbags nem resultado de teste de colisão.

A herança do Evo
A Mitsubishi tem associado o desempenho da GSR à sua tradição esportiva. Segundo a Motor1, que reproduz declarações do executivo Shunichi Kihara à Drive, a marca quer preservar o espírito do Lancer Evolution “de alguma forma”.
Isso é posicionamento de marca. Não existe anúncio de um novo Evo, de um sedã ou de uma versão Ralliart.
Já o nome tem outra origem, segundo a fabricante: VR-e remete ao Galant VR-4, e o “e” indica a eletrificação.
Disponibilidade e Brasil
A Mitsubishi da Nova Zelândia confirma a chegada às concessionárias em dezembro de 2026. Na Austrália, a previsão é de lançamento no fim do ano, e a Chasing Cars indica dezembro. Apresentação à imprensa e entrega ao cliente são etapas diferentes.
Para o Brasil, não foi localizado anúncio de importação, homologação, versões, preço ou calendário. O comunicado global cita apenas Austrália e Nova Zelândia. Os preços e a autonomia WLTP neozelandeses não valem como referência para o mercado brasileiro nem como homologação do Inmetro.
A imprensa australiana compara o porte do ASX VR-e ao do Kia EV3 e do BYD Atto 2. A Mitsubishi diz, segundo a CarsGuide, que pretende sustentar o posicionamento com produto, tradição e rede de atendimento, sem necessariamente disputar o menor preço.


