O Bentley Continental GT S 2027 aposentou o motor que todos amavam — e ficou mais rápido
O Bentley Continental GT S 2027 abandona o lendário W12 e estreia um V8 híbrido plug-in de 680 cv e 930 Nm — mais potente que o motor que substituiu e com até 80 km de autonomia elétrica.

Por: Danniel Bittencourt
07/05/2026
Bentley Continental GT S 2027: nova geração híbrida chega mais rápida e mais polêmica
O W12 está aposentado. Depois de mais de 20 anos como o coração pulsante da família Continental GT, o motor de 12 cilindros saiu de linha — e o substituto não veio para pedir desculpas.
O Bentley Continental GT S 2027 representa a quarta geração do modelo e inaugura uma arquitetura híbrida plug-in de alto rendimento que, segundo a própria marca, supera o W12 Speed anterior em potência, torque e aceleração. São 680 cv combinados e 930 Nm de torque gerados pela parceria entre um V8 biturbo de 4.0 litros e um motor elétrico de 190 cv.
A proposta comercial da versão S sempre foi clara dentro do portfólio Bentley: mais dinâmica que o GT base e o Azure, menos radical que o Speed ou o espartano Supersports. O público-alvo são executivos e empreendedores na faixa dos 40 a 55 anos, que preferem conduzir seus próprios carros e não abrem mão de tecnologia de ponta.
Os concorrentes diretos são o Aston Martin DB12 e o Ferrari Roma — ambos puramente a combustão e, portanto, já em desvantagem nas crescentes zonas de emissão zero das metrópoles europeias.
Não há confirmação oficial de chegada ao Brasil, mas o mercado nacional de ultraluxo já precifica o modelo por importação direta.
A Estética Sombria que Substitui o Cromo: o Visual do Continental GT S
A carroceria do GT S segue as proporções clássicas que a Bentley herdou do R-Type Continental de 1952 — capô longo, habitáculo recuado e ancas traseiras musculosas. O que muda aqui é o tratamento cromático: tudo que brilhava em prata agora é preto Beluga.
A enorme grade dianteira em formato de matriz, um dos elementos mais reconhecíveis do modelo, aparece totalmente escurecida na Blackline Specification, que vem de série na versão S. Molduras das janelas, insígnias “Flying B” e o letreiro “BENTLEY” na tampa traseira recebem o mesmo tratamento. O efeito visual é imediato: o carro parece mais baixo, mais denso, mais contido.
Na lateral, rodas de 22 polegadas forjadas com dez raios varridos são a assinatura da versão S. Elas podem ser especificadas em preto sólido ou com faces usinadas brilhantes. Por trás dos aros, pinças de freio em vermelho vivo ou amarelo Mônaco são o único ponto de cor deliberado em todo o perfil.
Os faróis dianteiros trazem o padrão interno “Precision”, que a Bentley reserva aos modelos de inspiração esportiva. A estrutura interna lembra cristal lapidado e entrega um olhar mais duro que os conjuntos da geração anterior. Na traseira, lanternas escurecidas em formato oval cortado dialogam com o para-choque redesenhado e acomodam o escapamento esportivo duplo — que, na versão com kit Akrapovic, ganha recortes específicos no difusor.
O resultado não é agressivo no sentido italiano do termo. É uma elegância armada, discreta por fora e absolutamente calculada em cada detalhe.
O Interior que Dissolve a Fronteira Entre Clube Privê e Cockpit Esportivo
Entrar no GT S é confrontar uma contradição bem-resolvida: um ambiente que parece uma sala de leitura de alto padrão, mas com costuras feitas à mão em pontos que denunciam que o carro foi pensado para ser conduzido com seriedade.
O painel adota como padrão o folheado Piano Black polido à mão — profundamente reflexivo e sem uma única bolha visível. As saídas de ar em metal real com bordas estriadas em forma de diamante e as fivelas dos cintos revestidas em couro mostram que a Bentley ainda leva o conceito de “detalhe invisível” a um nível que poucos concorrentes tentam alcançar.
Os bancos dianteiros combinam couro de touro criado em climas frios — o que evita marcas na pele do animal e garante superfícies mais uniformes — com aplicações de Dinamica, um tecido de microfibra semelhante à camurça. O material aparece estrategicamente no aro do volante, na alavanca seletora e nos centros dos assentos: exatamente onde o corpo do motorista faz contato em curvas de carga lateral alta. A ideia não é apenas estética — é funcional.
O Display que Gira e os 2.200 Watts que Você Sente na Coluna
O sistema de infoentretenimento tem como peça central o Bentley Rotating Display, um mecanismo eletromecânico que esconde uma tela touchscreen de 12,3 polegadas atrás de um painel de Piano Black. Com um toque, a superfície gira e revela a tela com Apple CarPlay e Android Auto sem fio. Com outro toque, ela vira novamente — agora exibindo três mostradores analógicos clássicos: bússola, cronômetro e temperatura externa. É a única solução do segmento que permite ao condutor zerar completamente a presença digital do painel.
O sistema de som Naim for Bentley entrega 2.200 watts por 18 alto-falantes. Os transdutores de graves ativos embutidos na estrutura dos bancos fazem o motorista sentir fisicamente as frequências mais baixas — não é efeito sonoro, é feedback háptico.
O ponto forte real da cabine é a acústica: os vidros laminados reduzem em 9 decibéis o ruído externo frente a vidros convencionais, criando um silêncio de laboratório que valoriza ainda mais o sistema de som.
A limitação real é o porta-malas: 260 litros. O pacote de baterias de 25,9 kWh ocupa o espaço que antes acomodava malas para viagens longas. Para referência, sedãs populares compactos frequentemente superam esse volume. O nome “Gran Turismo” sofre aqui sua maior contradição.
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680 cv e 930 Nm: o V8 Híbrido que Prova que Menos Cilindros Podem Significar Mais Tudo
O motor central do GT S é um V8 biturbo de 4.0 litros com arquitetura crossplane, injeção direta de alta pressão e 32 válvulas. Os turbocompressores twin-scroll ficam posicionados dentro do “V” quente do bloco — uma escolha de engenharia que reduz o percurso dos gases e, na prática, diminui o atraso na resposta ao acelerador. Sozinho, o V8 entrega 519 cv e 770 Nm a partir de 2.300 rpm.
Acoplado a ele, o motor elétrico contribui com 190 cv adicionais e 450 Nm instantâneos — sem esperar que os turbos entrem em pressão. É exatamente esse preenchimento elétrico que elimina qualquer sensação de lacuna na entrega de força, especialmente entre 1.500 e 3.000 rpm, onde motores turbo convencionais ainda estão “acordando”.
O resultado combinado é 680 cv e 930 Nm gerenciados por uma caixa DCT de 8 velocidades. O 0 a 100 km/h é cumprido em 3,5 segundos, com velocidade máxima de 306 km/h. Para um veículo que pesa entre 2.450 e 2.459 kg, esses números desafiam a física de forma bastante literal.
No modo puramente elétrico, a autonomia chega a 80 km (ciclo WLTP), com velocidades de até 140 km/h sem acionar o V8. O carregador de bordo de 11 kW reabastece a bateria de 25,9 kWh em cerca de 2,6 horas numa tomada nível 2.
O consumo do motor a combustão em uso misto fica estimado entre 8,0 e 9,4 km/l. Com o tanque de 80 litros, a vocação de viagem intercontinental segue preservada — desde que a bateria esteja carregada para os trechos urbanos.
Ficha Técnica — Bentley Continental GT S 2027
| Item | Especificação |
|---|---|
| Motor | V8 biturbo 4.0 l, PHEV (híbrido plug-in) |
| Potência combinada | 680 cv |
| Torque combinado | 930 Nm |
| Motor elétrico | 190 cv / 450 Nm |
| Câmbio | DCT automático de 8 velocidades |
| 0 a 100 km/h | 3,5 segundos |
| Velocidade máxima | 306 km/h |
| Autonomia elétrica (WLTP) | Até 80 km |
| Consumo misto estimado (ICE) | 8,0 a 9,4 km/l |
| Capacidade da bateria | 25,9 kWh (bruto) |
| Carregamento (nível 2 / 11 kW) | ~2,6 horas |
| Peso em ordem de marcha | 2.450 a 2.459 kg |
| Porta-malas | 260 litros |
Quanto Custa um Bentley Continental GT S 2027 no Brasil — e o que Vem Junto com a Conta
Nos Estados Unidos, o MSRP do Continental GT S parte de US$ 296.150 para o cupê e chega a US$ 325.250 no conversível GTC S. Com as opcionais mais procuradas — freios de carbono-cerâmica (US$ 18.000 adicionais), upgrade do sistema de som Naim (US$ 8.000) e pinturas Mulliner sob medida —, a nota final frequentemente se aproxima de US$ 380.000 a US$ 395.000. No Reino Unido, o preço base está estimado em £ 212.500.
No Brasil, a conta funciona de forma diferente. O empilhamento de Imposto de Importação, IPI calculado sobre cilindrada e peso, ICMS, frete marítimo, seguro e margem do importador transforma qualquer cálculo direto em exercício de otimismo. Estimativa de mercado: um GT S 2027 base deve iniciar tratativas na faixa de R$ 3.800.000, podendo superar os R$ 4.500.000 — ou cruzar a fronteira dos R$ 5.000.000 em configurações Mulliner completas com pintura em três camadas e fibra de carbono.
A manutenção é estruturalmente cara, e não por capricho. A combinação de um V8 de alto rendimento com um sistema híbrido de alta tensão, rede secundária de 48 volts e suspensão pneumática ativa cria múltiplas camadas de complexidade que exigem diagnóstico especializado. Uma troca de pneus de 22 polegadas (Pirelli P Zero) pode custar entre US$ 4.000 e US$ 6.000 o jogo completo. Pastilhas de freio por eixo chegam a US$ 2.500.
O seguro entra no território do “High Net Worth Coverage”: seguradoras convencionais frequentemente recusam o risco sem intermediação de corretores especializados. No Brasil, estimativa de mercado aponta prêmios entre 3% e 5% do valor do veículo ao ano — o que, no cenário base, representa entre R$ 114.000 e R$ 190.000 anuais.
Vale comprar no lançamento? Para quem usa a garantia de fábrica como proteção financeira, sim — é o momento de menor risco técnico. Esperar o mercado esfriar, neste segmento, raramente produz barganhas: a depreciação é real, mas a escassez de peças e a curva de manutenção pós-garantia comem qualquer economia na compra.
O perfil de comprador ideal é o executivo ou empreendedor que conduz o próprio carro, mora em cidade com zonas de emissão restrita e quer um veículo que funcione silenciosamente na segunda-feira e de forma intensa no final de semana.
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O que Todo Mundo Pergunta Antes de Comprar o Bentley Continental GT S 2027
Qual o consumo real do Bentley Continental GT S 2027? Com a bateria carregada e uso predominantemente elétrico, o consumo de combustível pode ser irrelevante em trajetos curtos. Com o V8 em uso constante, o consumo estimado fica entre 8,0 e 9,4 km/l em percurso misto.
Quanto custa o seguro do Continental GT S no Brasil? Estimativa de mercado aponta entre 3% e 5% do valor do veículo ao ano. Para um carro avaliado em R$ 4 milhões, isso representa entre R$ 120.000 e R$ 200.000 anuais — dependendo do perfil do condutor e da cobertura contratada.
Quais são os principais concorrentes do Bentley GT S 2027? Os rivais diretos são o Aston Martin DB12 e o Ferrari Roma, ambos com motores V8 puramente a combustão e tração traseira. O Porsche 911 Turbo S também compete em desempenho, mas com uma proposta de habitáculo e luxo muito diferente.
O Bentley Continental GT S 2027 chega ao Brasil? Não há confirmação oficial de chegada por rede de concessionárias. O mercado brasileiro costuma receber unidades via importação direta ou por importadores independentes especializados em lançamentos de ultraluxo.
O Bentley Continental GT S 2027 Vale o Investimento?
Para quem quer o Bentley mais equilibrado da linha, a versão S é a resposta mais lúcida. Ela entrega o mesmo hardware de chassi do Speed — barras de 48 volts, eLSD, direção nas quatro rodas — com um motor híbrido de 680 cv que já supera o antigo W12 em quase tudo.
Não é um carro para quem busca racionalidade financeira. A manutenção é cara, o seguro é alto e o porta-malas de 260 litros trai o nome “Gran Turismo” em viagens longas.
Mas para o comprador que dirige o próprio carro, vive em cidade com zona de emissão restrita e quer o ponto mais técnico da linha Bentley sem pagar o prêmio do Speed: o GT S é exatamente onde a lógica e o desejo finalmente concordam.
É o Bentley mais difícil de refutar — e mais fácil de querer.









