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Carros Bem Montados

Conheça os 10 Carros Mais Rápidos Já Criados no Japão

Do Land Cruiser turbinado a 370 km/h ao hipercarro elétrico que bateu recorde mundial: conheça os 10 carros mais rápidos já fabricados no Japão e a engenharia por trás de cada um deles.

The 10 Fastest Cars Ever Built in Japan

Os 10 Carros Mais Rápidos Já Fabricados no Japão

O Japão construiu sua fama mundial fabricando carros confiáveis, baratos de manter e produzidos em série com uma precisão quase obsessiva. Mas por trás dessa imagem de eficiência, sempre existiu um lado bem menos comportado da engenharia japonesa.

Enquanto as linhas de montagem cuspiam sedãs e hatches por milhões, montadoras e pequenas oficinas artesanais desenvolviam, quase em segredo, projetos que desafiavam qualquer limite físico. Alguns nasceram para cumprir brechas regulamentares de Le Mans. Outros vieram da euforia financeira da bolha econômica dos anos 80 e 90, quando dinheiro sobrava e ambição não tinha teto. E os mais recentes chegam puxados por motores elétricos que fazem qualquer V12 parecer devagar.

Reunimos aqui os dez carros mais rápidos já produzidos com engenharia japonesa, do hipercarro elétrico que quebrou recorde mundial até um SUV turbinado que corre como um caça. A ordem segue a velocidade máxima documentada, ou, quando o projeto nunca chegou a ser testado oficialmente, a velocidade calculada pela engenharia da época.

🏁 Posição🚗 Carro⚡ Velocidade Máxima
🥇 Aspark Owl SP600438,7 km/h
🥈 Toyota GT-One (TS020) Road Car380 km/h
🥉 Toyota Land Speed Cruiser370,18 km/h
Nissan R390 GT1 Road Car354 km/h
Jiotto Caspita (Mk II)345 km/h
Tommykaira ZZII338 km/h
Nissan GT-R Track Edition (R35)333 km/h
Lexus LFA Nürburgring Package325 km/h
Yamaha OX99-11322 km/h
10ºAcura/Honda NSX Type S307 km/h

1

Aspark Owl SP600

O carro mais rápido já feito no Japão não sai de nenhuma fábrica tradicional. É um hipercarro elétrico de produção limitadíssima, criado pela Aspark, empresa de engenharia sediada em Osaka e comandada por Masanori Yoshida. Em outubro de 2024, o piloto alemão Marc Basseng levou o SP600 a 438,7 km/h na pista de testes Automotive Testing Papenburg, na Alemanha, marca certificada pelo Guinness World Records.

O segredo está em quatro motores elétricos, um em cada roda, somando 1.953 cv e 1.920 Nm de torque. A bateria de 69 kWh entrega tudo isso sem trocas de marcha, o que ajuda o carro a sair do zero aos 100 km/h em menos de 1,8 segundo. A carroceria em fibra de carbono ganhou uma barbatana dorsal para estabilizar o fluxo de ar em velocidades extremas, e os pneus foram desenvolvidos junto com a Bridgestone só para aguentar essa loucura toda.

Ficha técnica

EspecificaçãoDetalhe
Velocidade máxima438,7 km/h
Motorização4 motores elétricos síncronos
Potência máxima1.953 cv
Torque máximo1.920 Nm
TransmissãoRedução única, sem câmbio
TraçãoIntegral com vetorização de torque
Peso2.050 kg

2

Toyota GT-One (TS020) Road Car

Esse carro existe por causa de uma brecha nas regras da FIA. No fim dos anos 90, a categoria GT1 de Le Mans exigia que os protótipos de corrida tivessem uma versão homologada para rodar na rua. A Toyota, através da sua divisão europeia em Colônia, fez o caminho inverso: projetou um carro de corrida puro e depois adaptou o mínimo necessário para ele circular em vias públicas. O resultado foi apenas uma ou duas unidades de rua, hoje guardadas em museus da marca.

O motor é um V8 3.6 biturbo que na pista rendia bem mais, mas na versão de rua entrega 600 cv, com catalisadores e escapamento mais silencioso para passar pela legislação de trânsito. O chassi em fibra de carbono e colmeia de alumínio, com o motor atuando como parte estrutural, deixou o carro na faixa de 900 kg a 1.080 kg. Isso é leveza de moto em corpo de supercarro, e o resultado é 380 km/h de velocidade máxima.

Ficha técnica

EspecificaçãoDetalhe
Velocidade máxima380 km/h
MotorizaçãoV8 3.6L biturbo (R36V-R)
Potência máxima600 cv a 6.000 rpm
Torque máximo650 Nm a 6.000 rpm
TransmissãoSequencial de 6 marchas
TraçãoTraseira, motor central
Peso900 kg (seco)

3

Toyota Land Speed Cruiser

Esse é, sem dúvida, o item mais inesperado da lista. Um Land Cruiser. Sim, aquele SUV feito para atravessar deserto e enfrentar estrada de terra virou, nas mãos do Motorsports Technical Center da Toyota nos Estados Unidos, um projeto para bater o recorde mundial de velocidade entre utilitários esportivos, marca que até então pertencia a um Mercedes-Benz preparado pela Brabus.

Apresentado no SEMA Show de 2016, o carro foi pilotado pelo piloto de Nascar Carl Edwards em uma pista no deserto do Mojave, onde chegou a 370,18 km/h. O motor V8 5.7 original ganhou dois turbos gigantes, apelidados pelos próprios engenheiros de “bolas de vôlei” de tão grandes, rodando com 55 psi de pressão e entregando perto de 2.000 cv. Para não decolar ou capotar naquela velocidade, o chassi foi estreitado e a altura ao solo, drasticamente reduzida.

Ficha técnica

EspecificaçãoDetalhe
Velocidade máxima370,18 km/h
MotorizaçãoV8 5.7L biturbo (3UR-FE modificado)
Potência máximaAproximadamente 2.000 cv
TransmissãoAutomática de 8 marchas
TraçãoIntegral modificada
PneusMichelin Pilot Super Sport 315/35 R20

4

Nissan R390 GT1 Road Car

Assim como o rival da Toyota, o R390 nasceu da mesma exigência da FIA para disputar Le Mans em 1997 e 1998. A Nissan colocou sua divisão de competição, a NISMO, para trabalhar ao lado do engenheiro britânico Tony Southgate e da Tom Walkinshaw Racing, com desenho assinado por Ian Callum. Só uma unidade de rua foi construída, hoje preservada na DNA Garage, em Zama, embora a marca tenha oferecido, na época, fabricar mais exemplares por um milhão de dólares cada.

O motor V8 3.5 biturbo VRH35L rendia 550 cv e tinha uma engenharia tão sólida que, anos depois, a própria base do projeto foi vendida para a McLaren, que a transformou no motor do MP4-12C. Com chassi em fibra de carbono e cerca de 1.100 kg, o R390 alcançava 354 km/h e ia de 0 a 100 km/h em 3,9 segundos, números respeitáveis até hoje para um carro homologado nos anos 90.

Ficha técnica

EspecificaçãoDetalhe
Velocidade máxima354 km/h
MotorizaçãoV8 3.5L biturbo (VRH35L)
Potência máxima550 cv a 6.800 rpm
Torque máximo637 Nm a 4.400 rpm
TransmissãoManual sequencial de 6 marchas
TraçãoTraseira, motor central
PesoCerca de 1.100 kg

5

Jiotto Caspita (Mk II)

Esse projeto só existiu porque o Japão, no fim dos anos 80, vivia um momento em que dinheiro parecia não ter fim. A marca de roupas Wacoal financiou a Dome, especialista em chassis de corrida, para criar algo parecido com “uma Fórmula 1 para a rua”. A primeira versão, de 1989, usava um motor fraco demais para a proposta. A Mk II, de 1990, resolveu isso trocando tudo por um V10 Judd de 3.5 litros, o mesmo tipo usado em carros de F1 da época.

Com 577 cv e giro até 10.750 rpm, o Caspita pesava apenas 1.240 kg graças a um monocoque que misturava fibra de carbono e placas de alumínio, curado em processo de autoclave feito pela Mitsubishi Rayon. As portas em asa de gaivota e as asas ativas completavam o visual de carro de corrida disfarçado de esportivo de rua. A velocidade projetada chegava a 345 km/h. A crise financeira do início dos anos 90 estourou antes de o carro sair do papel para a produção em série, e o projeto morreu ali.

Ficha técnica

EspecificaçãoDetalhe
Velocidade máxima345 km/h
MotorizaçãoV10 3.5L aspirado (Judd GV)
Potência máxima577 cv a 10.750 rpm
Torque máximo385 Nm a 10.500 rpm
TransmissãoManual de 6 marchas
TraçãoTraseira, motor central
PesoCerca de 1.240 kg

6

Tommykaira ZZII

A Tommykaira ficou famosa nos anos 90 preparando Nissan e Subaru, e virou nome conhecido até em jogos como Gran Turismo. Mas o sonho da marca era maior: construir um carro capaz de competir em Le Mans. Esse sonho ganhou forma em 2001 com o protótipo ZZII, desenhado por Noriyuki Nishida a partir do já leve ZZ da marca.

O coração do carro é o lendário motor RB26DETT da Nissan, expandido para 2.7 litros e turbinado até render 542 cv. Em vez de mandar toda essa força só para trás, os engenheiros instalaram o sistema de tração integral ATTESA E-TS Pro, o mesmo usado no Skyline GT-R, adaptado com uma nova caixa de transferência sob medida. Com chassi de alumínio extrudido coberto por fibra de carbono e apenas 1.000 kg, o ZZII ia de 0 a 100 km/h em 3,1 segundos e alcançava, em cálculos de engenharia, 338 km/h. Sem dinheiro para seguir sozinha, a Tommykaira vendeu o projeto para a Autobacs, que o rebatizou de ASL RS01. O carro nunca chegou a correr em Le Mans.

Ficha técnica

EspecificaçãoDetalhe
Velocidade máxima338 km/h
Motorização6 cilindros em linha 2.7L biturbo (RB26DETT modificado)
Potência máxima542 cv a 5.900 rpm
TransmissãoManual de 6 marchas
TraçãoIntegral (ATTESA E-TS Pro)
Peso1.000 kg
Aceleração 0-100 km/h3,1 segundos

7

Nissan GT-R Track Edition (R35)

Diferente da maioria dos carros dessa lista, o GT-R R35 não é um protótipo raro nem um projeto cancelado. É um carro que qualquer pessoa podia comprar em concessionária, e ainda assim entrega números de supercarro exótico. A versão Track Edition, com ajustes voltados para pista, chegou a marcas próximas de 333 km/h, mesmo pesando cerca de 1.730 kg, bem mais do que qualquer rival dessa lista.

O motor V6 3.8 biturbo VR38DETT é montado à mão por mecânicos batizados internamente de Takumi, e rende entre 545 cv e quase 600 cv dependendo do ano e da versão. A tração integral ATTESA E-TS distribui o torque conforme a aderência de cada roda em tempo real, e o câmbio de dupla embreagem fica montado na traseira para equilibrar melhor o peso do carro. O resultado é uma arrancada de 0 a 100 km/h em cerca de 2,7 segundos, digna de hiperesportivo, com um preço muito mais palpável.

Ficha técnica

EspecificaçãoDetalhe
Velocidade máxima333 km/h
MotorizaçãoV6 3.8L biturbo (VR38DETT)
Potência máximaA partir de 545 cv
Torque máximoCerca de 628 Nm
TransmissãoDupla embreagem de 6 marchas
TraçãoIntegral (ATTESA E-TS)
PesoCerca de 1.730 kg
Aceleração 0-100 km/h2,7 segundos

8

Lexus LFA Nürburgring Package

Enquanto muitos supercarros japoneses nasceram de necessidade competitiva ou euforia financeira, o LFA nasceu de puro perfeccionismo. A Toyota levou quase dez anos desenvolvendo esse carro através da Lexus, obcecada com o som do motor, a fibra de carbono tecida em teares circulares e a resposta precisa ao volante. Apenas 500 unidades foram feitas no mundo todo, e só 50 delas na versão Nürburgring Package, criada em homenagem aos resultados do carro nas 24 horas do circuito alemão.

O motor V10 4.8 aspirado, desenvolvido com a Yamaha, gira até 9.000 rpm em apenas seis décimos de segundo, tão rápido que a Lexus precisou trocar o conta-giros tradicional por um painel digital circular. Na versão Nürburgring, a potência subiu para 572 cv, e o carro ganhou um aerofólio traseiro fixo e um difusor mais agressivo. Mesmo com esse arrasto extra, típico de configurações voltadas para downforce, o LFA chega a 325 km/h e faz 0 a 100 km/h em 3,7 segundos.

Ficha técnica

EspecificaçãoDetalhe
Velocidade máxima325 km/h
MotorizaçãoV10 4.8L aspirado (1LR-GUE, com Yamaha)
Potência máxima572 cv a 8.700 rpm
Torque máximo480 Nm a 6.800 rpm
TransmissãoAutomatizada sequencial de 6 marchas
TraçãoTraseira, motor dianteiro-central
PesoCerca de 1.480 kg

9

Yamaha OX99-11

A Yamaha não é fabricante de carros, mas já forneceu motores para times de Fórmula 1, e em 1992 quis colocar essa experiência na rua. O OX99-11 tentava reproduzir a sensação de pilotar um monoposto de F1 no dia a dia, e por isso tem uma configuração de banco em tandem, com o passageiro sentado atrás do motorista, quase como em um caça militar.

Só três unidades chegaram a ser construídas. O motor é um V12 3.5 aspirado derivado direto da Fórmula 1, girando até 10.000 rpm e entregando pelo menos 400 cv, número deliberadamente contido para as condições de uso urbano. Com carroceria em fibra de carbono e 1.000 kg de peso, o carro tinha velocidade projetada de 322 km/h. O projeto custava perto de 800 mil dólares por unidade, valor insustentável quando a crise financeira japonesa do início dos anos 90 chegou, e a Yamaha encerrou tudo antes de qualquer produção em série.

Ficha técnica

EspecificaçãoDetalhe
Velocidade máxima322 km/h
MotorizaçãoV12 3.5L aspirado derivado da F1 (OX99)
Potência máxima400 cv
Regime máximo10.000 rpm
TransmissãoManual de 6 marchas
TraçãoTraseira, motor central
Peso1.000 kg

10

Acura/Honda NSX Type S (segunda geração)

Fechando a lista está o carro mais moderno e o único totalmente híbrido. A segunda geração do NSX, vendida como Acura em alguns mercados e Honda em outros, é a resposta da marca a um mundo com regras de emissão cada vez mais rígidas, sem abrir mão de performance de supercarro. A versão de despedida, chamada Type S, empurrou o carro até 307 km/h.

O sistema combina um V6 3.5 biturbo com três motores elétricos, dois deles atuando nas rodas dianteiras através do sistema SH-AWD. Juntos, entregam entre 573 cv e 600 cv, além de mais de 645 Nm de torque, transmitidos por um câmbio de dupla embreagem de nove marchas. A vetorização de torque nas rodas da frente ajuda o carro a sair de curvas com uma tração quase impossível para um motor a combustão sozinho, e o resultado é uma arrancada de 0 a 100 km/h em torno de 2,8 segundos.

Ficha técnica

EspecificaçãoDetalhe
Velocidade máxima307 km/h
MotorizaçãoV6 3.5L biturbo híbrido (3 motores elétricos)
Potência máximaA partir de 573 cv (combinada)
Torque máximoCerca de 645 Nm (combinado)
TransmissãoDupla embreagem de 9 marchas
TraçãoIntegral (SH-AWD)
PesoEstrutura mista de alumínio, aço e fibras
Aceleração 0-100 km/h2,8 a 2,9 segundos

O que essa lista revela sobre a engenharia japonesa

Olhando os dez carros juntos, dá para ver três movimentos bem diferentes acontecendo ao mesmo tempo. O primeiro é o efeito colateral das regras de Le Mans nos anos 90, que obrigou Toyota e Nissan a colocar na rua carros que nunca deveriam ter saído da pista, só para cumprir a burocracia da FIA. O segundo é a era da bolha econômica japonesa, quando dinheiro sobrando virou combustível para projetos praticamente sem limite de orçamento, como o Jiotto Caspita e o Yamaha OX99-11, a maioria deles condenados a morrer junto com a crise financeira que veio depois.

O terceiro movimento é o mais recente, e talvez o mais decisivo: a virada para a eletrificação. O Aspark Owl SP600 não bate recorde por força bruta nem por décadas de refinamento aerodinâmico. Ele vence porque distribui torque instantâneo em quatro rodas ao mesmo tempo, sem embreagem, sem lag de turbo, sem limite de rotação. É um sinal claro de que o próximo capítulo da velocidade máxima japonesa não vai sair de um motor a combustão, vai sair de uma bateria.

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