
A Ferrari Luce é o primeiro carro 100% elétrico da marca, com quatro portas, cinco lugares e 1.050 cv. Veja preço, autonomia e quando chega ao Brasil.

Depois de quase 80 anos vendendo motores V8 e V12, a Ferrari abriu mão do combustível pela primeira vez. O Luce é o nome do novo modelo, e ele muda praticamente tudo que se esperava de um carro com o cavalinho no capô.
São quatro portas, cinco lugares e nenhum motor a combustão. Para uma marca que sempre vendeu velocidade junto com o barulho do escapamento, essa é uma virada e tanto.
O Luce usa quatro motores elétricos, um em cada roda, o que garante tração nas quatro rodas o tempo todo. Juntos, eles entregam 1.050 cv e torque instantâneo assim que o pé pisa no acelerador.
Os números de aceleração impressionam: 0 a 100 km/h em 2,5 segundos e 200 km/h em 6,8 segundos. A velocidade máxima passa de 310 km/h, mesmo com o carro pesando 2.260 kg.
Um dos maiores desafios de fazer uma Ferrari elétrica era o silêncio. A marca resolveu isso com um sistema que capta vibrações reais das peças em movimento e as transforma em som dentro e fora do carro. O resultado muda conforme o modo de condução escolhido.
A bateria tem 122 kWh e arquitetura de 800 volts, o que permite recarga rápida de até 350 kW. A autonomia homologada pelo ciclo WLTP chega a 530 km.
Um detalhe interessante: a bateria é dividida em módulos, e não em um bloco único. Isso significa que, se um módulo perder desempenho no futuro, dá para trocar só essa parte, sem substituir o conjunto inteiro. A Ferrari dá 8 anos de garantia para todo o sistema elétrico.
O visual e o interior do Luce nasceram de uma parceria com a LoveFrom, estúdio comandado por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple e um dos nomes por trás do iPhone, ao lado de Marc Newson. Os dois trabalharam junto com a equipe da Ferrari por cerca de cinco anos antes do lançamento.
O resultado foge do desenho tradicional da marca. A carroceria forma uma espécie de “casa de vidro” que une para-brisa, teto panorâmico e vidros laterais em uma única superfície contínua, com asas aerodinâmicas nas pontas.
As portas traseiras abrem no sentido contrário, facilitando a entrada dos passageiros de trás. Já o porta-malas comporta 597 litros, mais espaço do que muitos SUVs de tamanho médio.
Por dentro, o Luce mistura botões físicos e manetes mecânicas com três telas digitais redondas. A ideia foi evitar um painel cheio de telas planas, algo que Ive já tinha criticado em outros carros modernos.
Na Europa, o Ferrari Luce parte de 550 mil euros, algo entre R$ 3,2 milhões e R$ 3,5 milhões na cotação atual. As primeiras entregas devem começar ainda no fim de 2026 nos mercados europeu e asiático.
No Brasil, a chegada oficial está prevista para 2027. A Ferrari já confirmou o modelo por aqui, mas o preço final de venda deve subir bem acima do valor europeu por causa de impostos de importação.
A procura já surpreendeu a marca: o primeiro lote de 88 unidades reservado para a China esgotou em poucas horas, e toda a produção prevista até o fim de 2027 já está vendida.
O Luce divide opiniões desde que foi revelado. Parte dos fãs da marca estranha o formato de quatro portas e a ausência do motor V8. Por outro lado, o carro entrega números de desempenho que colocam poucos elétricos no mundo à sua altura.
Independentemente do gosto de cada um pelo design, o Luce marca o início de uma nova fase para a Ferrari, uma em que a marca precisa provar que consegue ser rápida sem depender de gasolina.
28/07/2026