
A Ferrari Daytona Shooting Brake Hommage une o motor V12 da 599 a uma carroceria artesanal de alumínio. Conheça esta rara recriação moderna de um clássico de 1972 que levou mais de 15 mil horas para ganhar vida nas ruas.

A arte de criar carrocerias automotivas sob encomenda parecia coisa do passado, uma tradição que ficara para trás no século anterior. Mas o estúdio holandês Niels van Roij Design decidiu provar o contrário, e o resultado é de tirar o fôlego: a Ferrari Daytona Shooting Brake Hommage.
Trata-se de uma criação feita sob encomenda que mostra até onde a imaginação — e o bolso — de um colecionador apaixonado pode chegar. O projeto mistura a alta tecnologia moderna com o charme nostálgico das peruas esportivas de duas portas dos anos 70. A seguir, os detalhes dessa verdadeira escultura sobre rodas, que levou anos para sair do papel e ganhar as ruas.
A História por Trás da Ferrari Daytona Shooting Brake Hommage
Tudo começou em 1972, quando um cliente americano encomendou uma perua esportiva baseada na já lendária Daytona. A oficina britânica Panther assumiu o desafio e deu vida a uma das peças mais raras do universo automotivo.
Mais de cinco décadas depois, essa mesma premissa voltou à mesa de trabalho, mas com um olhar totalmente atualizado. Os designers holandeses topsystem enfrentar a tarefa nada simples de modernizar as linhas daquela perua original sem trair sua essência.
O foco esteve em preservar a elegância e o perfil alongado que definem uma shooting brake de verdade, equilibrando o passado glorioso com proporções mais musculosas e contemporâneas. Cada traço foi pensado para manter a discrição — sem, no entanto, abrir mão da imponência que um clássico como esse exige.
Motor V12 e a Base Estrutural da Ferrari 599
Um projeto desse porte exige uma base mecânica à altura, e a escolha recaiu sobre a renomada Ferrari 599. É ela quem empresta a estrutura para receber a nova carroceria — o que significa que, sob o capô alongado, continua pulsando o mesmo potente e sonoro V12 dianteiro.
A parte mecânica permaneceu praticamente intocada, e não por acaso: o proprietário queria um carro confiável, capaz de encarar viagens e passeios longos sem sustos. O objetivo aqui nunca foi quebrar recordes de pista, e sim entregar puro prazer ao volante.
Com essa base, a dirigibilidade segue afiada, previsível e emocionante — sem abrir mão do conforto típico das grand tourers italianas, feitas para cruzar continentes com classe.
Design Artesanal e 15 Mil Horas de Trabalho Manual
A transformação visual foi tão profunda que consumiu mais de três anos de dedicação e cerca de 15 mil horas de trabalho manual, conduzidas por artesãos altamente qualificados. Toda a carroceria foi moldada em alumínio batido à mão, sem qualquer ajuda de prensas industriais.
Da 599 original, sobraram apenas o para-brisa e os painéis estruturais das portas dianteiras — praticamente tudo o mais foi reinventado. Até os vincos metálicos laterais passaram por retrabalho, de forma a fluir naturalmente até a nova traseira.
Esse cuidado obsessivo com a harmonia visual resultou em um design limpo e fluido. O teto alongado desce suavemente até a traseira, formando um trapézio bastante peculiar, e nenhum painel ali possui linhas de corte visíveis — é um bloco sólido e contínuo de metal.
Visual Frontal Exclusivo e Ausência de Emblemas Oficiais
Um dos primeiros detalhes que chamam atenção é a ausência total de emblemas oficiais da marca italiana. Como a carroceria nasceu nas mãos de um estúdio independente, o logotipo tradicional simplesmente não foi aplicado — uma escolha madura, que demonstra respeito à identidade construída pela própria fabricante ao longo de décadas.
A dianteira ganhou um grupo ótico bem particular, inspirado no acabamento em acrílico do modelo original de 1972. Em vez do plástico liso de sempre, a peça atual é escultural e recebeu pintura em um tom ocre metálico, criando um olhar misterioso — bem menos agressivo do que costumamos ver nos esportivos atuais.
As janelas laterais traseiras também escondem uma surpresa e tanto: no charmoso formato asa de borboleta, elas se abrem para cima, dando acesso ao compartimento de bagagem.
Porta-Malas e Acabamento Traseiro Sob Medida
O vidro traseiro é fixo, assim como na perua original que inspirou todo o projeto. Já o assoalho do porta-malas precisou ser discretamente elevado para acomodar os componentes do tanque de combustível.
Nada ali foi deixado ao acaso: a área recebeu atenção meticulosa, com acabamentos esculpidos e até emblemas escondidos, pensados exclusivamente para o proprietário.
Interior Customizado em Fibra de Carbono e Painel Central
A cabine também passou por uma reformulação completa, se afastando de vez da estética do veículo doador. No projeto original dos anos 70, o painel era coberto por madeira natural em tom nogueira — algo típico da época.
Na versão moderna, esse acabamento deu lugar a painéis leves e elegantes em fibra de carbono. Os marcadores do painel de instrumentos foram sutilmente deslocados para o centro, o que limpa o campo de visão do motorista e valoriza a elevação dos para-lamas dianteiros.
A visibilidade pelo retrovisor também melhorou bastante, graças ao formato mais baixo e inclinado do novo vidro traseiro. Bancos, portas e console central ganharam revestimentos inéditos, escolhidos a dedo pelos próprios donos do carro. O resultado é um habitáculo acolhedor e intimista, pensado para tornar cada viagem ainda mais prazerosa.
Conclusão
A Ferrari Daytona Shooting Brake Hommage prova que a arte de construir carrocerias sob medida segue mais viva do que nunca. É um processo artesanal que transforma ideias muito particulares em realidade, com elegância e precisão mecânica de sobra.
Ao unir a base vigorosa da 599 a um desenho carregado de nostalgia, o estúdio holandês criou uma peça verdadeiramente atemporal — uma escultura genuína, feita tanto para ser admirada em coleções quanto para ser bem guiada nas estradas.
22/07/2026