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Mercedes-Benz GLB 2027: tudo sobre o SUV elétrico com 7 lugares e autonomia de 631 km

O Mercedes-Benz GLB 2027 chega com arquitetura elétrica de 800 volts, autonomia de até 631 km e capacidade para sete passageiros — mantendo dimensões compactas para uso urbano.

Mercedes-Benz GLB 2027

O fim do EQB e o início de uma nova geração

A Mercedes-Benz apresentou oficialmente o GLB 2027 em dezembro de 2025, encerrando a submarca EQB após apenas alguns anos no mercado. A decisão não foi discreta: a fabricante alemã optou por unificar toda a linha sob o nome GLB, adicionando apenas o sufixo “com Tecnologia EQ” nas versões elétricas.

Isso significa que elétricos e híbridos passam a conviver no mesmo catálogo, sem separação de linha. A propulsão elétrica deixa de ser um produto paralelo e se torna apenas mais uma opção de motor dentro de um modelo já consolidado.

O lançamento comercial está previsto para o final de 2026, com as versões elétricas chegando primeiro. As variantes híbridas devem seguir no início de 2027. A plataforma utilizada é a nova MMA (Mercedes-Benz Modular Architecture), desenvolvida com prioridade para veículos elétricos, mas com flexibilidade para abrigar motores híbridos.

GLB 2027 no Brasil e seus concorrentes

No mercado europeu e norte-americano, o GLB disputa diretamente com BMW iX1, Audi Q3, Audi Q4 e-tron e Volvo EX40. Mas há um ponto que o diferencia de todos eles: nenhum desses rivais oferece configuração para sete passageiros.

Com a saída do BMW Série 2 Gran Tourer e a ausência de terceira fileira nos modelos da Audi, o GLB 2027 fica isolado como o único SUV premium europeu compacto com sete lugares.

No Brasil, a análise é diferente. Pelo histórico de preços entre R$ 370.000 e R$ 400.000, o modelo acaba competindo indiretamente com utilitários a diesel como o Toyota SW4, Chevrolet Trailblazer e Jeep Commander. O perfil de comprador do GLB, porém, tende a rejeitar o porte maior e a motorização a diesel, priorizando tecnologia, dirigibilidade urbana e refinamento de uma carroceria monobloco.

O público-alvo principal são famílias em cidades grandes que precisam de espaço para sete pessoas eventualmente, mas não querem um SUV de grande porte no dia a dia.

Design externo que mantém a silhueta quadrada

O GLB 2027 mantém sua carroceria alta e verticalizada, com coluna D quase perpendicular ao solo. Essa escolha não é estética — é funcional. O formato “quadradão” é o que permite a terceira fileira de bancos e os volumes generosos de porta-malas dentro de um comprimento externo de 4.732 mm.

A dianteira foi redesenhada para se aproximar da família CLA. A novidade mais visível é a barra de LEDs contínua que atravessa horizontalmente a frente do capô, conectando os dois faróis em um único traço luminoso. A grade frontal ganhou proporções maiores em relação à geração anterior.

Na traseira, o mesmo princípio se repete: uma faixa de lanternas em LED se estende de ponta a ponta da largura do veículo, criando uma assinatura visual reconhecível e alinhada com outros modelos da marca.

Nas laterais, as rodas foram empurradas para as extremidades da carroceria. Isso encurtou os balanços dianteiro e traseiro e foi necessário para acomodar o pacote de baterias de 85 kWh posicionado entre os eixos. O resultado visual é uma postura mais assentada, com rodas de 18 polegadas nas versões de entrada.

A distância entre-eixos cresceu aproximadamente 60 mm em relação à geração anterior, chegando a 2.888 mm. As superfícies laterais foram suavizadas para reduzir turbulência de ar, e a engenharia aerodinâmica contou com a ajuda da Unidade de Desconexão (DCU) do eixo dianteiro — que elimina o arrasto rotacional do motor frontal quando ele não é necessário.

O teto panorâmico SKY CONTROL é o elemento mais inusitado. O vidro laminado muda de transparente para opaco em 10 milissegundos por comando eletrônico, bloqueando calor e ofuscamento. À noite, 158 pontos de luz integrados ao vidro formam um padrão que imita um céu estrelado.

Interior com três telas e volante com botões físicos de volta

Ao entrar no GLB 2027, o que mais chama atenção é o conjunto MBUX Superscreen: três telas sob um único painel de vidro que vai de coluna a coluna. O painel do motorista tem 10,25 polegadas, enquanto a central de infoentretenimento e a tela do passageiro dianteiro têm 14 polegadas cada.

É importante, porém, destacar uma limitação real: o Superscreen completo — com a tela do passageiro — é item opcional. Versões sem esse pacote chegam com uma lacuna no painel que contrasta com as imagens de catálogo amplamente divulgadas pela marca.

O sistema operacional por trás de tudo é o MB.OS, com a quarta geração da interface MBUX. A plataforma integra inteligência artificial desenvolvida com Microsoft e Google, permitindo comandos de voz conversacionais para ajustar climatização, navegação e iluminação.

O volante marca uma mudança bem recebida: a Mercedes-Benz reintroduziu botões físicos para o controle de cruzeiro adaptativo e um rolete físico para o volume do áudio. Nas gerações recentes, essas funções eram controladas por superfícies capacitivas — solução criticada por exigir atenção visual do motorista.

Os materiais variam entre microfibra DINAMICA, couro sintético MB-Tex e couro natural, dependendo da versão. O console central adota um design “flutuante”, abrindo espaço de armazenamento embaixo.

O espaço interno cresceu com o novo entre-eixos. A segunda fileira ganhou 68 mm a mais de espaço para as pernas. O deslizamento longitudinal dos bancos traseiros é padrão nas versões de sete lugares e opcional nas de cinco.

A terceira fileira continua presente e retrátil. Mas a aerodinâmica cobrou um preço pequeno: o espaço para a cabeça nessa fileira caiu 2,5 mm em relação à geração anterior. Para crianças, irrelevante. Para adultos de maior estatura, pode gerar algum desconforto.

O sistema de som opcional Burmester® 3D agora processa áudio em Dolby Atmos, e o isolamento acústico foi reforçado com espumas fonoabsorventes nas portas e estrutura — essencial em elétricos, onde a ausência do ruído do motor torna os sons de vento e pneus mais perceptíveis.

Motores elétricos, híbrido e carregamento de 800 volts

O GLB 2027 elétrico chega em duas versões. O GLB 250+ usa um único motor síncrono no eixo traseiro, entregando 272 cv e 335 Nm de torque. O tempo de 0 a 100 km/h é de 7,3 segundos e a autonomia chega a 631 km pelo ciclo WLTP.

O GLB 350 4MATIC adiciona um segundo motor no eixo dianteiro, elevando o conjunto para 354 cv e 515 Nm combinados. O sprint de zero a cem cai para 5,4 segundos, e a autonomia se mantém em 614 km (WLTP) graças à Unidade de Desconexão (DCU): quando o terreno não exige tração integral, o motor dianteiro é desacoplado mecanicamente, eliminando até 90% das perdas por arrasto naquele eixo.

Ambas as versões elétricas têm velocidade máxima limitada eletronicamente a 209 km/h e câmbio com duas marchas na unidade traseira (EDU 2.0) — diferente do câmbio de marcha única comum em elétricos.

A terceira opção é o híbrido leve (MHEV 48V) com motor 1.5L turbo de quatro cilindros, operando no ciclo Miller. O motor a combustão gera cerca de 190 cv, assistido por um motor elétrico de 27 cv integrado ao câmbio. Os dados finais de potência, torque, consumo e aceleração para o GLB especificamente ainda não foram divulgados pela fabricante.

A tecnologia de recarga é o ponto mais relevante da plataforma. O sistema opera em 800 volts, aceitando até 320 kW em corrente contínua. Na prática, isso significa que 10 minutos conectado a uma estação compatível adicionam 260 km de autonomia. Em wallbox doméstico, a recarga em corrente alternada aceita até 9,6 kW.

O peso do conjunto é uma limitação concreta: as estimativas ficam entre 2.125 kg e 2.270 kg, dependendo da versão. Esse número eleva o estresse nos componentes de suspensão e freios ao longo do tempo.

Ficha Técnica

ItemGLB 250+ ElétricoGLB 350 4MATIC ElétricoGLB Híbrido 1.5L MHEV
MotorPSM elétrico (traseiro)PSM elétrico (duplo)1.5L turbo + elétrico 48V
Potência272 cv (268 hp)354 cv (349 hp)190 cv + 27 cv elétrico
Torque335 Nm515 NmNão divulgado
Câmbio2 marchas (EDU 2.0)2 marchas (EDU 2.0)8F-eDCT (dupla embreagem)
TraçãoTraseira (RWD)Integral (AWD + DCU)4MATIC (não confirmado)
0 a 100 km/h7,3 s5,4 sNão divulgado
Vel. máxima209 km/h209 km/hNão divulgado
Autonomia631 km (WLTP)614 km (WLTP)Não divulgado
Bateria85 kWh (NMC)85 kWh (NMC)1,3 kWh / 48V
Recarga DCAté 320 kWAté 320 kWN/A
Recarga ACAté 9,6 kWAté 9,6 kWN/A
Peso2.125–2.270 kg (est.)2.125–2.270 kg (est.)Não divulgado
Dimensões (C×L×A)4732×1862×1687 mm4732×1862×1687 mm4732×1862×1687 mm
Entre-eixos2.888 mm2.888 mm2.888 mm
Porta-malas frontal127 L (frunk)127 L (frunk)Não aplicável
Porta-malas traseiro480–540 L / até 1.715 L480–540 L / até 1.715 L480–540 L / até 1.715 L
SuspensãoMacPherson (d) / Multi-link (t)MacPherson (d) / Multi-link (t)MacPherson (d) / Multi-link (t)

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As dúvidas mais comuns sobre o GLB 2027 respondidas sem enrolação

1. O GLB 2027 terá versão a gasolina ou diesel? Não. As opções são duas versões totalmente elétricas e uma versão híbrida leve (MHEV 48V) com motor 1.5L turbo. Não há versões convencionais a gasolina ou diesel confirmadas para essa geração.

2. O MBUX Superscreen com três telas vem de série? Não. A tela dedicada ao passageiro dianteiro (14 polegadas) é equipamento opcional. Versões sem esse pacote não contam com a tela lateral do painel.

3. O GLB 2027 cabe em garagens de apartamento? Com 4.732 mm de comprimento e 1.862 mm de largura, ele é compacto para a categoria de 7 lugares. A decisão depende das dimensões específicas de cada vaga.

4. Quanto tempo leva para carregar completamente? Em carregadores de 320 kW (DC), 10 minutos adicionam 260 km de autonomia. A carga completa em wallbox doméstico de 9,6 kW levará mais horas — dado exato não divulgado pela fabricante.

5. A terceira fileira é usável para adultos? A fabricante destaca que ela é retrátil e forma piso plano quando dobrada. O espaço para a cabeça caiu 2,5 mm em relação à geração anterior — confortável para crianças, mas potencialmente limitado para adultos de maior estatura.

Análise Final

O GLB 2027 entrega um conjunto técnico acima do que a categoria compacta costuma oferecer. A arquitetura de 800 volts com recarga de 320 kW é o ponto mais concreto: reduz o tempo de abastecimento em viagens a um nível próximo dos combustíveis fósseis. Isso, combinado com autonomia de até 631 km, resolve a principal objeção prática aos elétricos.

A Unidade de Desconexão (DCU) na versão AWD é uma solução engenhosa: mantém a eficiência da tração simples quando o terreno permite e aciona o segundo eixo em milissegundos quando necessário. O resultado é 614 km de autonomia na versão de tração integral — apenas 17 km a menos que a versão de eixo único.

As limitações são reais. O peso entre 2.125 kg e 2.270 kg vai contra a proposta de um compacto ágil. A tela tripla do Superscreen, amplamente usada no marketing do modelo, é item opcional — quem não pagar pelo pacote receberá um painel visualmente incompleto. E o espaço da terceira fileira, apesar de existir, não é generoso para adultos.

Dentro da categoria, o GLB 2027 se posiciona como a opção mais tecnológica e a única com sete lugares entre os SUVs compactos premium europeus. Para famílias urbanas que precisam de espaço eventual para sete pessoas, tecnologia de recarga rápida e dimensões manejáveis, ele não tem rival direto no segmento.

Para quem prioriza leveza, dirigibilidade pura ou busca o menor preço de entrada, os concorrentes com menos tecnologia embarcada e menor peso podem ser mais adequados.

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