Primeiro SUV elétrico da Suzuki tem tração AWD e chega em junho
A Suzuki finalmente entra no jogo dos elétricos com um trunfo raro: tração integral em SUV compacto. O e Vitara 2026 chega em junho para mostrar que eficiência e aventura podem andar juntas.

Suzuki entra na briga dos elétricos com carta na manga
A Suzuki finalmente dá seu primeiro passo sério no universo dos carros 100% elétricos, e não poderia escolher melhor momento. O e Vitara 2026 desembarca na Austrália em junho como o primeiro BEV de produção em massa da marca japonesa, mas não chega sozinho — traz consigo a plataforma HEARTECT-e, co-desenvolvida com a Toyota, e uma proposta que poucos rivais conseguem oferecer: tração integral elétrica.
No território dos SUVs compactos elétricos, onde Hyundai Kona Electric, Kia EV3 e BYD Atto 3 dominam as conversas, a Suzuki aposta em algo que vai além de números de autonomia. O e Vitara promete entregar usabilidade no dia a dia sem abrir mão da versatilidade off-road que sempre definiu a marca.
Produzido na Índia, o modelo é fruto de uma colaboração estratégica contínua entre Suzuki, Toyota e Daihatsu — e isso não é apenas marketing. A HEARTECT-e é uma arquitetura dedicada a veículos elétricos, não uma adaptação forçada de plataforma a combustão. Michael Pachota, gerente geral da Suzuki Austrália, resume bem: “é um sinal claro de como estamos evoluindo como marca, mantendo-nos fiéis aos valores que sempre definiram a Suzuki”.

Design robusto com tecnologia elétrica à vista
O e Vitara não tenta esconder sua identidade elétrica — e isso é positivo. A grade frontal fechada marca presença de forma discreta, otimizada para reduzir resistência aerodinâmica e melhorar eficiência. Com 4.275 mm de comprimento, 1.800 mm de largura e 1.635 mm de altura, o SUV mantém dimensões compactas ideais para uso urbano, mas sem sacrificar presença de estrada.
O entre-eixos de 2.700 mm é generoso para a categoria e garante espaço interno inteligente, enquanto os pneus de grande diâmetro reforçam o visual robusto. As rodas de liga leve de 18 polegadas vêm de série na versão Motion, embora a imprensa australiana aponte que as rodas de 19 polegadas vistas no Reino Unido não chegarão por lá — um ponto que pode decepcionar quem busca mais presença visual.
Os faróis full LED trazem assinatura de três pontos de luz nas luzes diurnas (DRLs), enquanto a versão Ultra adiciona adaptive high beam, tecnologia que ajusta automaticamente o feixe de luz conforme o tráfego. O para-choques e as molduras dos arcos das rodas foram desenhados pensando em aerodinâmica, algo essencial para maximizar autonomia em um elétrico.
A Suzuki oferece configurações two-tone com teto contrastante, mas vale o conselho: evite o preto. Cores vibrantes destacam muito melhor os detalhes do design, especialmente as linhas que remetem ao conceito “High-Tech & Adventure” — uma tentativa bem-sucedida de unir modernidade tecnológica com robustez de SUV.
A altura do solo de 180 mm é outro ponto positivo, garantindo que o e Vitara não seja apenas mais um crossover de asfalto. É um SUV que pode, de fato, encarar trilhas leves sem constrangimento.

Interior que equilibra tecnologia e praticidade
Por dentro, o e Vitara aposta em um layout focado no motorista, com console central robusto e painéis que reforçam o tema aventureiro sem exageros. O destaque fica por conta do sistema de display integrado: duas telas de 10 polegadas — 10,1″ para multimídia e 10,25″ de painel digital — que se unem visualmente em uma interface customizável por tiles (telhas), permitindo navegar entre apps, navegação e mídia de forma intuitiva.
A conectividade é completa: Apple CarPlay e Android Auto sem fio, Bluetooth com streaming de áudio e, na versão Ultra, sistema de som Infinity com subwoofer — um diferencial que poucos rivais oferecem nessa faixa.
O conforto varia conforme a versão. A Motion traz bancos em tecido, volante revestido em couro, ar-condicionado de zona única e iluminação ambiente de 12 cores. Já a Ultra sobe o nível: bancos com combinação de tecido e couro sintético (leather-look), bancos dianteiros aquecidos, ajuste elétrico para o motorista, carregador de celular por indução e o já mencionado teto de vidro panorâmico com proteção solar.
A ergonomia é bem resolvida. As entradas de ar traseiras garantem conforto para todos os ocupantes, e as portas USB dianteiras e traseiras eliminam brigas por carregadores — detalhe simples, mas que faz diferença no dia a dia.
Um ponto que chama atenção é o seletor de modos de condução, presente desde a versão de entrada. Isso mostra que a Suzuki não economizou em funcionalidades essenciais, mesmo na configuração mais acessível.
O acabamento interno recebe costuras contrastantes e iluminação ambiente que eleva a percepção de qualidade. Não é luxo exagerado, mas está acima do esperado para um SUV compacto elétrico voltado ao uso cotidiano.
Ponto positivo: espaço bem aproveitado graças à plataforma dedicada a BEVs, sem túnel central invasivo.
Ponto negativo: o ar-condicionado de zona única na versão Motion pode incomodar quem valoriza controle de clima independente — recurso cada vez mais comum em rivais.

Dois motores, uma missão: eficiência com versatilidade
Aqui está o grande trunfo do e Vitara: a oferta de tração integral elétrica em um segmento onde a maioria dos rivais se contenta com tração dianteira. A Suzuki oferece duas configurações principais na Austrália:
Motion (FWD): motor dianteiro de 106 kW (144 cv) e 193 Nm de torque, alimentado por bateria de 49 kWh LFP (fosfato de ferro-lítio), com autonomia de 344 km (WLTP). Aceleração de 0-100 km/h estimada em ~9,6 segundos.
Ultra (AWD): dois motores elétricos (dianteiro + traseiro) que entregam 135 kW (184 cv) e 307 Nm combinados, com bateria de 61 kWh LFP e autonomia de 395 km (WLTP). O 0-100 km/h cai para ~7,4 segundos — números competitivos para a categoria.
Há ainda uma exceção regional: na Queensland e norte de New South Wales, a Suzuki oferece uma versão Ultra FWD com bateria de 61 kWh, que alcança impressionantes 426 km (WLTP) — a maior autonomia da linha.
Sistema ALLGRIP-e e modo Trail
O sistema de tração integral ALLGRIP-e utiliza dois eixos elétricos independentes, permitindo controle preciso de torque em cada roda. O destaque fica por conta do Modo Trail, que simula a função de um diferencial autoblocante: ao detectar patinação, o sistema aplica freios na roda que perdeu aderência e redistribui torque para a roda oposta — essencial em trilhas leves e terrenos irregulares.
É uma capacidade off-road real, não apenas marketing. E isso é raro em SUVs elétricos compactos.
Recarga e eficiência térmica
A recarga DC (corrente contínua) leva cerca de 45 minutos para ir de 10% a 80%, enquanto a recarga AC de 11 kW demora 4h30 (bateria de 49 kWh) ou 5h30 (61 kWh).
Todos os modelos vêm com bomba de calor (heat pump) de série — tecnologia que otimiza o desempenho da bateria em climas frios, evitando perda drástica de autonomia no inverno. Esse é um diferencial importante, já que muitos concorrentes cobram extra por isso ou simplesmente não oferecem.
Segurança de alto nível
O e Vitara não economiza em assistências ao motorista: 7 airbags, frenagem autônoma de emergência (AEB), cruise adaptativo (ACC), assistência de manutenção de faixa (LKA), monitor de ponto cego, alerta de tráfego traseiro, sensores dianteiros e traseiros, câmera 360° e freio de colisão múltipla.
No entanto, vale destacar que o modelo recebeu 4 estrelas no Euro NCAP — abaixo das 5 estrelas esperadas para lançamentos recentes. Ainda não há homologação ANCAP para a Austrália.
Pontos positivos
- AWD elétrico com Modo Trail — raro no segmento
- Bomba de calor de série em todas as versões
- Recarga rápida competitiva (45 min)
Pontos negativos
- Autonomia modesta frente a rivais como BYD Atto 3 (que supera 450 km)
- Apenas 4 estrelas no Euro NCAP
- Preço australiano ainda não divulgado, criando incerteza

FICHA TÉCNICA
| Especificação | Valor |
|---|---|
| Plataforma | HEARTECT-e (dedicada BEV) |
| Comprimento | 4.275 mm |
| Largura | 1.800 mm |
| Altura | 1.635 mm |
| Entre-eixos | 2.700 mm |
| Altura do solo | 180 mm |
| Peso Motion | 1.702 – 1.799 kg |
| Peso Ultra | 1.860 – 1.899 kg |
| Motor Motion | 1 motor dianteiro, 106 kW (144 cv) |
| Motor Ultra | 2 motores, 135 kW (184 cv) |
| Torque Motion | 193 Nm |
| Torque Ultra | 307 Nm |
| Bateria Motion | 49 kWh LFP |
| Bateria Ultra | 61 kWh LFP |
| Autonomia Motion | 344 km (WLTP) |
| Autonomia Ultra AWD | 395 km (WLTP) |
| Autonomia Ultra FWD | 426 km (WLTP, QLD/NSW) |
| 0-100 km/h Motion | ~9,6 segundos |
| 0-100 km/h Ultra | ~7,4 segundos |
| Recarga DC (10-80%) | 45 minutos |
| Recarga AC 11kW Motion | 4h30 (10-80%) |
| Recarga AC 11kW Ultra | 5h30 (10-80%) |
| Tração Motion | Dianteira (FWD) |
| Tração Ultra | Integral ALLGRIP-e (AWD) |
| Rodas | Liga leve 18″ |
| Tela central | 10,1″ touchscreen |
| Painel digital | 10,25″ widescreen |
| Ocupantes | 5 passageiros |
| Segurança | 7 airbags, AEB, ACC, LKA, BSM, câmera 360° |
FAQ
1. O Suzuki e Vitara 2026 tem tração integral?
Sim, a versão Ultra oferece tração integral elétrica ALLGRIP-e com dois motores independentes e modo Trail para uso off-road leve.
2. Qual a autonomia do e Vitara?
Varia entre 344 km (Motion FWD, 49 kWh) e 426 km (Ultra FWD, 61 kWh, disponível apenas em Queensland e norte de NSW). A versão Ultra AWD oferece 395 km.
3. Quanto tempo leva para carregar?
Em recarga rápida DC, de 10% a 80% leva cerca de 45 minutos. Em tomada AC de 11 kW, o tempo varia entre 4h30 e 5h30, dependendo do tamanho da bateria.
4. O e Vitara tem bomba de calor?
Sim, todos os modelos vêm com heat pump de série, tecnologia que otimiza a autonomia em climas frios.
5. Quando o e Vitara chega na Austrália?
A previsão é para junho de 2026 (Q2/2026), mas o preço oficial ainda não foi divulgado.
✅ Pontos Positivos
- Sistema ALLGRIP-e com Modo Trail — tração integral elétrica com capacidade off-road real, recurso raro em SUVs compactos elétricos.
- Bomba de calor de série — otimiza autonomia em climas frios sem custo adicional, diferencial sobre vários concorrentes.
- Plataforma HEARTECT-e co-desenvolvida com Toyota — robustez e confiabilidade comprovada, fruto de parceria estratégica sólida.
❌ Pontos Negativos
- Autonomia modesta — de 344 a 426 km (WLTP), fica atrás de rivais como BYD Atto 3 e algumas versões do Kona Electric.
- Apenas 4 estrelas no Euro NCAP — avaliação de segurança abaixo das 5 estrelas esperadas para lançamentos recentes.
- Ausência de rodas de 19 polegadas na Austrália — diferente do Reino Unido, limitando-se às de 18″, o que pode decepcionar quem busca mais presença visual.
Danniel Bittencourt
Danniel Bittencourt é especialista e entusiasta do setor automotivo, com atuação focada em análise de veículos, lançamentos e tendências do mercado global. É fundador do site e responsável por diversos canais no YouTube voltados ao universo dos carros.
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