Conheça o Mustang mais exclusivo e brutal já feito pela Shelby
O Shelby Super Snake-R 2026 vai muito além de um Mustang com turbo. São mais de 850 cavalos, resultado de um V8 5.0 com supercharger, rodas de magnésio feitas sob medida e uma produção bem exclusiva, de apenas 300 carros. Este ícone entrega o desempenho de um superesportivo europeu, custando bem menos – sem abrir mão da essência original que fez de Carroll Shelby um mito.

Revelado na Monterey Car Week de agosto de 2025, o Super Snake-R chega em um momento peculiar da indústria automotiva: enquanto montadoras correm para eletrificar suas linhas, a Shelby American faz exatamente o oposto. Eles pegaram o já brutal Mustang Dark Horse — o Mustang de produção mais potente da história com 507 cv — e transformaram em algo que desafia a lógica de mercado.
A estratégia é cirúrgica. Posicionado entre o Dark Horse convencional (US$ 60 mil) e o ultra-exclusivo Mustang GTD (US$ 325 mil), o Super Snake-R custa US$ 224.995 e entrega 35 cavalos a mais que o GTD. É como se a Shelby tivesse encontrado um vácuo no mercado que ninguém sabia que existia: o nicho de quem quer performance absurda sem a complexidade de um carro de corrida homologado para rua.
Diferente de conversões amadoras, este não é simplesmente um Dark Horse com peças aftermarket. A Shelby reconstruiu suspensão, freios, aerodinâmica e sistema de resfriamento — cada componente foi recalibrado para suportar a avalanche de torque que o supercharger Whipple de 3.0 litros despeja nas rodas traseiras.
O nome “Super Snake” não foi escolhido por acaso. É homenagem direta ao lendário Shelby Cobra 427 Super Snake de 1966 (CSX 3015), vendido por US$ 5,5 milhões em leilão. Quando Carroll Shelby batizava algo de “Super Snake”, era porque tinha certeza de que aquilo mudaria o jogo.

Esqueça sutileza. O Super Snake-R grita performance antes mesmo de você girar a chave. A primeira mudança visual já entrega o recado: o icônico cavalo do Mustang sai de cena, substituído pela cobra Shelby — símbolo de uma linhagem que não responde à Ford, mas à obsessão por velocidade.
A carroceria widebody não é cosmética. Os para-lamas alargados em fibra de carbono aumentam a pegada visual e, mais importante, permitem acomodar pneus Michelin Cup de 335 mm na traseira — 60 mm mais largos que o Dark Horse padrão. O truque? Eles se abrem como portas, facilitando manutenção sem riscar a pintura original.
O capô de fibra de carbono traz saídas de ar generosas que dialogam diretamente com o sistema de resfriamento extremo — não são adereços. O calor gerado por 850 cavalos precisa escapar, e essas aberturas fazem exatamente isso enquanto reduzem peso na dianteira.
Aerodinâmica foi desenvolvida em pista real, não apenas em simulador. O divisor dianteiro corta sustentação a altas velocidades, enquanto o difusor traseiro maciço trabalha em conjunto com a asa pedestal (ou ducktail, dependendo da escolha do comprador) para gerar downforce sem transformar o carro em um tijolo aerodinâmico.
Mas o destaque absoluto são as rodas de magnésio forjado. Desenvolvidas ao longo de 15 anos em parceria com BlueTech Global, cada roda 20″ reduz aproximadamente 4 kg comparada às equivalentes de alumínio. No total, são 16,7 kg a menos de massa rotacional — o equivalente dinâmico a remover 180 libras de peso estático em aceleração, frenagem e resposta de direção.
As seis cores de fábrica (Grabber Blue Metallic, Race Red, Orange Fury, Oxford White, Shadow Black e Carbonized Gray) podem ser complementadas por faixas personalizadas ou “Stripe Delete” para quem prefere discrição — se é que é possível ser discreto com 13 polegadas de largura nas rodas traseiras.

Abrir a porta é entrar em um cockpit de combate disfarçado de carro de rua. A Shelby removeu os bancos traseiros — não por falta de espaço, mas por redução de peso e para instalar a barra de proteção traseira que reforça rigidez estrutural em pista.
Os bancos dianteiros são exclusivos Shelby, revestidos em couro premium com inserções de Alcantara. A camurça sintética não é frescura europeia: oferece grip superior quando suas mãos suam sob 1,2 G de força lateral e envia a mensagem tátil certa — este não é um carro para passear no shopping.
Cada unidade traz plaqueta serializada no painel. Não é numeração genérica de fábrica: cada Super Snake-R é registrado no Shelby Registry oficial, transformando o proprietário em guardião documentado de 1 das 300 unidades produzidas.
Detalhes como manopla de câmbio personalizada (na versão manual), soleiras com inscrição “Super Snake-R”, puddle lamps com logotipo Shelby e tapetes bordados completam a atmosfera de exclusividade. O volante em couro e Alcantara com costuras de contraste parece ter sido roubado de um GT3 europeu.
A tecnologia é surpreendentemente moderna para um muscle car. O sistema Ford SYNC 4.0 fornece integração sem fio com Apple CarPlay e Android Auto, enquanto o painel digital de 12,4 polegadas oferece leitura cristalina mesmo sob sol intenso. O som Bang & Olufsen com até 11 alto-falantes garante que você ouça cada nota do V8 supercharged em alta definição.
O câmbio manual Tremec TR-3160 com short throw shifter reduz tempo entre marchas em 15-20%. Para quem prefere, há automática de 10 velocidades com trocas otimizadas — mas sejamos honestos: quem compra um Super Snake-R provavelmente quer sentir cada engrenagem encaixando.

O coração da besta é uma obra-prima de engenharia americana: V8 Coyote de 5.0 litros de quarta geração, já lendário por entregar 507 cv naturalmente aspirado no Dark Horse, agora violentamente amplificado pelo supercharger Whipple de 3.0 litros.
O Whipple não é um compressor roots comum. É um screw-type supercharger (compressor de parafuso), tecnologia que oferece eficiência térmica superior, resposta mais linear e menor parasitagem do motor. A calibração específica Shelby extrai 850+ cavalos (fontes jornalísticas apontam 861 cv reais) quando alimentado com gasolina 93+ octanas.
O incremento é brutal: 343+ cavalos acima do Dark Horse. Isso foi possível através de sistema de resfriamento extremo com radiadores dedicados, semieixos reforçados para transmitir o tsunami de torque e escapamento Borla cat-back que libera contrapressão enquanto amplifica a trilha sonora característica do V8.
Embora a Shelby não divulgue aceleração oficial, extrapolações sugerem 0-100 km/h em 3,4-3,7 segundos — território de supercarros europeus que custam o triplo. A velocidade máxima estimada ultrapassa 280 km/h, limitada mais pela aerodinâmica que pela potência.
A relação potência-peso é obscena: 0,468 cv/kg comparado aos 0,277 cv/kg do Dark Horse — um incremento de 69% que se traduz em aceleração que empurra seus órgãos internos para o banco.
Consumo? Realista: espere 4-5 km/l em uso urbano agressivo, 6-7 km/l em estrada moderada e absurdos 3-4 km/l em pista. Com tanque de 60 litros, a autonomia varia entre 330-540 km dependendo de quão honesto você é com o pedal direito.
A suspensão coilover ajustável Shelby substitui a MagneRide adaptativa do Dark Horse, permitindo calibração milimétrica de altura, amortecimento e pré-carga para cada condição. Buchas de suspensão elevadas para rolamentos esféricos metálicos eliminam deflexão e entregam resposta de direção cirúrgica.
Os freios Brembo de duas peças com discos ranhurados mantêm performance mesmo após centenas de voltas, dissipando calor e limpando material de fricção desgastado automaticamente.
Segurança ativa? Completa. ABS com EBD, controle de estabilidade AdvanceTrac (totalmente desligável para track), controle de tração com cinco níveis de ajuste, frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa, monitoramento de ponto cego e até sistema de mitigação de buracos. É muscle car com cérebro de sedan premium.

FICHA TÉCNICA
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Motor | V8 DOHC Coyote 5.0L, 4 válvulas por cilindro |
| Supercharger | Whipple 3.0L screw-type |
| Potência | 850+ cv @ 7.400 rpm (aprox. 861 cv) |
| Torque | ~650-670 Nm (estimado, ~92+ kgfm) |
| Transmissão | Tremec TR-3160 manual 6 marchas ou Ford automática 10 velocidades |
| Tração | Traseira (RWD) |
| 0-100 km/h | 3,4-3,7 segundos (estimado) |
| Velocidade máxima | 280+ km/h (estimada) |
| Consumo urbano | 4-5 km/l |
| Consumo estrada | 6-7 km/l |
| Tanque | 60 litros |
| Autonomia | 330-540 km (conforme uso) |
| Rodas dianteiras | Magnésio forjado 20″x11″ |
| Rodas traseiras | Magnésio forjado 20″x13″ |
| Pneus traseiros | Michelin Cup 335 mm |
| Freios | Brembo discos ranhurados de duas peças |
| Peso | 1.816 kg |
| Comprimento | 4.821 mm |
| Entre-eixos | 2.719 mm |
| Porta-malas | ~377 litros |
| Airbags | 7 (frontais, laterais, cortina, joelho) |
| Produção | 300 unidades (limitada) |
| Preço (EUA) | US$ 224.995 |
| Preço estimado (Brasil) | R$ 1,2 milhão (importação) |
| Garantia | 3 anos/58.000 km (proprietário original) |
FAQ
1. O Shelby Super Snake-R vale mais a pena que o Mustang GTD?
Depende do objetivo. O Super Snake-R entrega 35 cv a mais por US$ 100 mil a menos, mas o GTD oferece aerodinâmica ativa, transmissão DCT e desenvolvimento voltado para tempos de volta em pista. Se você quer potência bruta e exclusividade sem complexidade extrema, o Super Snake-R vence. Se busca um Mustang de corrida homologado para rua, o GTD é insubstituível.
2. É possível comprar o Super Snake-R no Brasil?
Oficialmente, não. A Shelby American não distribui no Brasil, mas importadoras especializadas já oferecem o modelo sob encomenda por aproximadamente R$ 1,2 milhão. O processo inclui homologação, impostos e logística — viável para colecionadores dispostos a navegar burocracia alfandegária.
3. Qual a diferença entre o Super Snake e o Super Snake-R?
O “R” indica refinamento de pista. Comparado ao Super Snake padrão (830 cv), o Super Snake-R traz 20 cv adicionais, suspensão coilover ajustável exclusiva, rodas de magnésio forjado, sistema de resfriamento aprimorado e carroceria widebody mais agressiva.
4. A garantia Shelby é válida fora dos EUA?
A garantia de 3 anos/58.000 km é oferecida pela Shelby American e pode ter limitações internacionais. Importadores costumam negociar extensões de garantia, mas é essencial confirmar cobertura antes da compra — especialmente para componentes como supercharger e transmissão.
5. O consumo de combustível inviabiliza uso diário?
Com 4-5 km/l em cidade, o Super Snake-R consome como qualquer muscle car de alta performance. Não é econômico, mas também não foi projetado para ser. Para quem pode investir R$ 1,2 milhão em um carro, o custo de combustível raramente é fator decisivo.
Fontes
Shelby (página oficial)
Ford (especificações Mustang)
Hypebeast (cobertura lançamento)
Quatro Rodas (análise técnica)
FlatOut (review completo)
Danniel Bittencourt
Danniel Bittencourt é especialista e entusiasta do setor automotivo, com atuação focada em análise de veículos, lançamentos e tendências do mercado global. É fundador do site e responsável por diversos canais no YouTube voltados ao universo dos carros.
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