Carros Bem Montados

Pegaso Z-102 Berlinetta 1954 — a joia rara do Museu CARDE

O Pegaso Z-102 Berlinetta Series 2 (1954) é uma das maiores raridades automotivas do mundo. Com design italiano e motor V8 de 195 cv, o supercarro espanhol desafiou a Ferrari e conquistou o título de mais rápido do planeta na década de 1950.

Pegaso Z-102 Berlinetta Series 2 de 1954

A Lenda no Museu CARDE

O Pegaso Z-102 Berlinetta Series 2 de 1954, em exposição no Museu CARDE, em Campos do Jordão, é uma das raridades mais impressionantes do mundo automotivo. Este supercarro espanhol uniu engenharia avançada, design italiano e um espírito ousado que, nos anos 50, colocou a Espanha frente a frente com marcas como Ferrari e Alfa Romeo.

A Origem de um Sonho Impossível

A história do Pegaso começa após a Segunda Guerra Mundial, quando o governo espanhol criou a ENASA, instalada na antiga fábrica da Hispano-Suiza. O objetivo era reconstruir o país — mas o engenheiro Wifredo Ricart, ex-Alfa Romeo e rival de Enzo Ferrari, sonhava mais alto: queria criar o supercarro mais avançado do planeta.
Com tecnologia de ponta e recursos limitados, Ricart e sua equipe deram vida a um projeto improvável — o Pegaso Z-102, símbolo de orgulho nacional e de pura inovação mecânica.

Tecnologia e Engenharia à Frente do Tempo

O coração do Z-102 era um motor V8 todo em alumínio, com duplo comando de válvulas em cada cabeçote — algo raro nos anos 50. O modelo Series 2 de 1954 trazia 2.8 litros e 195 cv, com dois carburadores Weber de quatro gargantas.
Outros avanços incluíam cárter seco, câmbio transaxle de 5 marchas e suspensão independente, soluções típicas de carros de corrida.
As versões mais potentes superavam 240 km/h, e um Z-102 chegou a quebrar recordes de velocidade na Bélgica, atingindo 243 km/h, tornando-se o carro de produção mais rápido do mundo.

Design Italiano, Alma Espanhola

A carroceria do Z-102 Berlinetta Series 2 foi criada pela Carrozzeria Touring Superleggera, de Milão. A estrutura tubular leve, revestida em alumínio, seguia o conceito “Superleggera”, equilibrando rigidez e elegância.
O resultado era um design fluido e agressivo, com proporções esportivas e detalhes cromados refinados. Cada exemplar era montado praticamente à mão, tornando cada Pegaso uma peça única.
Algumas versões receberam carrocerias ainda mais exóticas da Saoutchik, exibidas no Salão de Paris, conhecidas como “as Ferraris espanholas”.

Desempenho e Competição

Leve, com cerca de 990 kg, o Z-102 entregava aceleração impressionante: 0 a 80 km/h em apenas 8,3 segundos.
O modelo também competiu em provas lendárias como o Grande Prêmio de Mônaco de 1952, 24 Horas de Le Mans de 1953 e Carrera Panamericana de 1954 — mostrando que, além de luxo, o Pegaso também era pura performance.

O Exemplar do Museu CARDE

O modelo do Museu CARDE foi adquirido em 2024 durante a Semana de Monterey, em um leilão onde o lote, que incluía uma Ferrari 212 Inter e um Tucker ’48, superou R$ 20 milhões.
Hoje, ele é um dos destaques do acervo — um espaço que combina arte, design e história automotiva em um cenário moderno de 6 mil m² em Campos do Jordão.
Exclusivo, elegante e veloz, o Pegaso Z-102 Berlinetta é um testemunho de uma era em que a ousadia espanhola se atreveu a desafiar a elite italiana.

Vídeo

Com apenas 84 unidades produzidas entre 1951 e 1958 e valores atuais que chegam a US$ 1 milhão, o Pegaso Z-102 é uma das máquinas mais raras e desejadas do planeta.
Mais que um carro — é uma obra-prima que representa o ápice da criatividade e da paixão automobilística dos anos 50.

Foto de Danniel Bittencourt

Danniel Bittencourt

Criador de conteúdo automotivo e entusiasta de carros, compartilhando experiências e novidades do setor.

Compartilhe nas mídias:

Comente o que achou:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *