O SUV que virou elétrico: como Captiva conquistou mercado em 3 meses
Oito anos fora do mercado, a Captiva retorna 100% elétrica, mais espaçosa e com preço estratégico de R$ 199.990. A aposta da Chevrolet é simples: oferecer o conforto e a confiança que chineses não conseguem vender, mesmo com especificações técnicas parecidas.

QUANDO O CLÁSSICO REENCONTRA A MODERNIDADE
A Captiva original foi um ícone nos anos 2000—aquele SUV robusto que as famílias brasileiras adoravam, confiável como poucas coisas naquela época. Desapareceu em 2017, deixando vazio numa categoria que não parou de crescer. Oito anos depois, a Chevrolet traz de volta o nome icônico, mas completamente reinventado.
Não é nostalgia barata, não. É uma resposta estratégica a um mercado que mudou radicalmente. O Brasil virou laboratório de eletrificação chinesa—BYD, Geely, GWM ocupam prateleiras com modelos baratos e bem-equipados. A GM viu a brecha: consumidores queriam transição para elétrico, mas desconfiavam de marcas desconhecidas.
Aqui entra a Captiva EV 2026. Importada da China (baseada na plataforma Wuling Starlight S), mas com DNA Chevrolet, a nova geração chega posicionada logo abaixo dos R$ 200 mil—barragem psicológica poderosa—com autonomia sólida de 304 quilômetros e conforto genuinamente familiar. É nem uma coisa nem outra; é exatamente o que faltava.
Liderança de vendas desde lançamento em novembro de 2025 comprova: o mercado estava esperando justamente isso.

DESIGN QUE CONVERSA COM O TEMPO
Esqueça aquele facho de agressividade que os rivais chineses despejam na dianteira. A Captiva EV escolheu caminho oposto: elegância funcional, proporções equilibradas, nada que pareça forçado ou excessivo.
A dianteira impressiona por sutileza. Faróis LED afilados com assinatura luminosa que conecta horizontalmente ambos os lados—detalhe que marca identidade sem gritar. A grade fechada (típica de elétricos, melhora aerodinâmica) não aparenta “falta de respiro”; integra-se naturalmente ao desenho. O emblema central em dourado reforça a tal gravata Chevrolet, mas sem hierarquizar desnecessariamente.
De perfil, é onde o design conversa melhor com o tempo. Moldura cromada ascendente que percorre a linha de cintura cria ilusão óptica de alongamento—recurso clássico, mas bem executado. O teto biton (acabamento diferenciado na seção traseira) amplifica ainda mais esse efeito de sofisticação. Rodas aro 18 em liga leve completam o visual sem parecer desproporcional; é porte verdadeiro, não artificial.
Traseira limpa, sem excessos. Lanternas LED horizontais ampliam a sensação de largura—isso comunica estabilidade visual, sensação que buscam famílias. A leitura é coerente: não é deportivo, não é off-road selvagem, é familiar adulto, que conhece seu lugar no trânsito.
Quatro cores, cada uma com narrativa própria: Branco Lençóis oferece limpeza visual pura; Cinza Diamantina (a única que permite interior Sandy Soul, mais quente) reforça sofisticação; Azul Búzios dinamiza sem excessos; Dourado Jeri ousa na paleta cromática brasileira. A estratégia de cores diferentes abrem interior distinto é inteligente—cria incentivo psicológico de escolha exclusiva.

DENTRO DELE, SURPRESAS QUE FAZEM DIFERENÇA
Entra na Captiva EV e sente imediatamente: assoalho totalmente plano. Sim, parece detalhe menor, mas é revolucionário para quem vinha de SUV convencionais com túnel central roubando espaço. Com entre-eixos de 2.800 mm—um dos maiores da categoria—o espaço para pernas na segunda fileira é genuinamente generoso.
O porta-malas de 403 litros impressiona, especialmente considerando que o compartimento inferior acomoda recarregador portátil e ferramental. Design pensado em praticidade real, não em folha de especificações.
Materiais transitam entre premium e funcional. Superfícies soft-touch em portas e painel principal (não especificado qual tipo de vinil, mas qualidade visível), bancos com revestimento que convida ao toque, encosto traseiro reclinável até 30 graus para viagens longas. Isolamento acústico robusto: mais de 45 pontos de revestimento fonoabsorvente, pneus 235/55 R18 de baixo ruído, vidros dianteiros laminados com dupla camada. O resultado? Cabine refinada, minimizando transmissão de barulho urbano.
Tela multimídia de 15,6 polegadas—uma das maiores do segmento—com layout minimalista privilegiando interação touchscreen. Apple CarPlay e Android Auto com fio (sem versão wireless, escolha que prioriza estabilidade em veículos elétricos), modo DJ para streaming via Bluetooth, quatro entradas USB (A e C).
O painel digital de 8,8 polegadas configurável exibe autonomia real, consumo instantâneo, pressão de pneus, utilização de potência—informações que EVs precisam mostrar melhor que convencionais.
Câmera 360º de alta resolução facilita manobras urbanas (essencial em São Paulo), climatização digital com funções predefinidas (modo “chuva” para desembaçamento acelerado, eliminação de odores por abertura automática de vidros).
O app myChevrolet permite ajuste remoto de temperatura, visualização de autonomia em tempo real, status de recarga, planejamento de rotas baseado em carregadores públicos. Funciona; não é revolucionário, mas funciona com fluidez que aplicativos rivais ainda não conseguem.

MOTOR ELÉTRICO COM LÓGICA PRÁTICA
201 cavalos e 31,6 kgfm de torque imediato não são números ousados para segmento, mas o jeito como se comportam faz diferença real. Eletrificação entrega torque instantâneo—sem aquele atraso de motores a combustão—traduzindo em anda-e-para urbano fluido e sem estresse.
Aceleração de 0 a 100 km/h em 9,9 segundos posiciona acima da média para SUV médios convencionais de potência equivalente. Velocidade máxima limitada eletronicamente a 150 km/h (conservadora, mas adequada).
Bateria LFP de 60 kWh (Lítio-Ferro-Fosfato)—escolha técnica importante. Diferente de química NCA/NCM tradicional, LFP oferece estabilidade térmica superior, reduzindo degradação em climas quentes (crítico no Brasil) e permitindo recuperação de energia mais eficiente. Autonomia oficial de 304 quilômetros (ciclo PBEV Inmetro), conservadora comparada aos otimistas 510 km do ciclo chinês CLTC. Diferença reflete rigor brasileiro versus padrões chineses que favorecem baixas velocidades.
Recarga rápida é onde a Captiva compete bem: 120 kW em DC (30-80% em 30 minutos), carregamento AC até 6,6 kW (10 horas para recarga completa). Oferece quatro modos de condução com três níveis de regeneração, permitindo ajustar intensidade de frenagem regenerativa—crucial em padrões urbanos anda-e-para.
Pacote Chevrolet Intelligent Driving agrupa 10 tecnologias: Controle de Cruzeiro Adaptativo (acompanha fluxo de trânsito), Assistente de Cruzeiro em Curva, Frenagem Autônoma de Emergência, Alerta de Colisão Frontal, Assistente de Permanência em Faixa, Faróis Adaptativos (ajustam conforme velocidade), Monitor de Ponto Cego, Alerta de Tráfego Cruzado Traseiro. Sistema robusto que coloca Captiva entre os mais avançados em assistência do segmento.
Segurança passiva: 6 airbags, estrutura de chassis reforçada, vidros laminados dianteiros (dupla camada), terceira luz de freio em LED.

FICHA TÉCNICA
| Especificação | Detalhe |
|---|---|
| Motor | Elétrico dianteiro 100% (FWD) |
| Potência | 201 cv (150 kW) |
| Torque | 31,6 kgfm (310 Nm) |
| Aceleração 0-100 km/h | 9,9 segundos |
| Velocidade máxima | 150 km/h |
| Bateria | LFP 60 kWh (Lítio-Ferro-Fosfato) |
| Autonomia | 304 km (ciclo PBEV Inmetro) |
| Recarga AC | 6,6 kW (10 horas) |
| Recarga DC | 120 kW (30-80% em 30 min) |
| Comprimento | 4.745 mm |
| Largura | 1.982 mm |
| Altura | 1.650 mm |
| Entre-eixos | 2.800 mm |
| Porta-malas | 403 litros |
| Peso | 1.800 kg |
| Tela multimídia | 15,6″ (Apple CarPlay, Android Auto) |
| Painel digital | 8,8″ configurável |
| Câmera 360° | Alta resolução |
| Airbags | 6 unidades |
| Assistentes de segurança (ADAS) | 10 tecnologias ativas |
| Cores disponíveis | Branco Lençóis, Cinza Diamantina, Azul Búzios, Dourado Jeri |
| Garantia geral | 3 anos / 100 mil km |
| Garantia de bateria | 8 anos / 160 mil km |
| Preço | R$ 199.990 |
Perguntas que o consumidor realmente faz
Quanto custa carregar em casa e na rua?
O carregador portátil de 4,4 kW vem incluso, exigindo apenas ponto 220V dedicado. Em média, uma recarga completa em casa custa R$ 60 a R$ 80, conforme a tarifa local.
Em carregadores rápidos públicos (DC até 120 kW), o custo para 30–80% fica entre R$ 40 e R$ 50. Na prática, rodar de elétrico sai cerca de 50% mais barato que híbridos e até 75% mais barato que SUVs a combustão equivalentes.
A manutenção é realmente mais simples?
Sim. Não há trocas de óleo, filtros ou velas. As revisões concentram-se em freios, pneus, suspensão e sistemas eletrônicos. A economia anual frente a um SUV a combustão da mesma categoria gira entre R$ 800 e R$ 1.200. A bateria é monitorada continuamente por sistema de diagnóstico avançado, reduzindo riscos inesperados.
304 km de autonomia atendem o uso diário?
Para quem roda até 60 km por dia (média nacional), é mais do que suficiente com recarga noturna. A limitação aparece apenas em viagens longas acima de 400 km, onde um híbrido plug-in oferece mais flexibilidade. A Captiva EV é ideal para uso urbano e rodoviário de curta/média distância.
Por que concorrentes chineses parecem mais baratos com potência similar?
Fabricantes chineses operam com menor custo industrial e grande escala em baterias. A Chevrolet compensa com rede consolidada, pós-venda estruturado e garantia de bateria de 8 anos, entregando não só produto, mas segurança operacional no longo prazo.
Quando a produção nacional começa, o preço cai?
A produção no Brasil está prevista para maio de 2026. A expectativa é de redução gradual entre R$ 10 mil e R$ 20 mil conforme a nacionalização de componentes avança, o que deve ocorrer ao longo de 1 a 2 anos. No curto prazo, o preço tende a se manter estável.
Pontos Positivos
Excelente relação custo-benefício
Por R$ 199.990, entrega 201 cv, 304 km de autonomia e bateria LFP de 60 kWh, posicionando-se abaixo de rivais diretos como BYD Yuan Plus e Geely EX5. O preço abaixo da barreira psicológica dos R$ 200 mil reforça o apelo comercial.
Espaço interno acima da média
Entre-eixos de 2.800 mm, assoalho plano e porta-malas de 403 litros garantem conforto real para famílias. Plataforma dedicada a elétricos resulta em melhor aproveitamento do espaço em relação a concorrentes.
Credibilidade da marca e pós-venda
A estrutura da Chevrolet no Brasil — com ampla rede, garantia de bateria de 8 anos/160 mil km e serviços digitais consolidados — oferece um nível de segurança e tranquilidade valorizado pelo consumidor familiar.
Pacote de segurança completo (ADAS)
Inclui 10 assistentes de condução, como frenagem autônoma, ACC, assistente de faixa e monitor de ponto cego, além de 6 airbags e boa rigidez estrutural. Nível de segurança compatível com categorias superiores.
Recarga rápida adequada ao uso real
Carregamento DC de até 120 kW (30–80% em ~30 min) e AC de 6,6 kW atendem bem tanto ao uso urbano quanto a viagens ocasionais.
Pontos Negativos
Autonomia apenas competitiva, não referência
Os 304 km (Inmetro) são suficientes para uso urbano, mas ficam abaixo de alguns rivais em estrada, exigindo mais planejamento em viagens longas.
CarPlay e Android Auto somente com fio
Ausência de conectividade wireless é um detalhe que destoa do posicionamento tecnológico esperado em 2026.
Garantia de bateria sem diferencial
Embora adequada, a cobertura segue o padrão do mercado e não se destaca frente aos concorrentes diretos.
Ausência de versão híbrida plug-in (PHEV)
A falta de uma opção de transição limita o apelo para consumidores que ainda não querem migrar para um elétrico 100%.
Design conservador
Visual discreto prioriza sobriedade, mas pode frustrar quem busca maior presença estética frente a rivais mais ousados.
Danniel Bittencourt
Danniel Bittencourt é especialista e entusiasta do setor automotivo, com atuação focada em análise de veículos, lançamentos e tendências do mercado global. É fundador do site e responsável por diversos canais no YouTube voltados ao universo dos carros.
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