Bugatti Type 57SC Atlantic: O Carro Mais Valioso do Mundo
O Bugatti Type 57SC Atlantic não é apenas um carro clássico — é uma obra de arte sobre rodas avaliada em mais de US$ 100 milhões. Com apenas 4 unidades produzidas entre 1936 e 1938, sendo que apenas 3 sobrevivem até hoje, este coupé representa o auge do design Art Déco automotivo. Sua carroceria em alumínio, a icônica costura dorsal central e um motor sobrealimentado de 210 cv fazem dele o sonho de qualquer colecionador.

O Type 57SC Atlantic chama atenção antes mesmo de você processar o que está vendo. A carroceria em alumínio polido apresenta uma forma de lágrima aerodinâmica que parece esculpida pelo vento. Mas o verdadeiro destaque é a costura dorsal — uma linha de rebites que corre do para-brisa até a traseira, dividindo o carro ao meio. Essa solução nasceu por necessidade (o alumínio da época não podia ser soldado com facilidade), mas virou a marca registrada do modelo.
Os faróis integrados ao capô alongado criam uma silhueta baixa e agressiva. Com apenas 1,38 metro de altura, o carro parece abraçar o asfalto. As rodas Rudge Witworth com aros de arame de 45,7 cm completam o visual clássico. As portas em forma de rim acentuam as linhas fluidas que fazem este Bugatti parecer estar em movimento mesmo parado.
Outro detalhe impressionante: cada Atlantic foi pintado em cores únicas. O modelo de Ralph Lauren é preto, enquanto outros exemplares vestem azul-cinza metálico ou prata. Pesando apenas 950 kg, o Type 57SC conseguiu algo raro — combinar leveza extrema com presença visual impactante.

Luxo Artesanal
Abra a porta e você entra em uma cápsula do tempo dos anos 1930. O painel de instrumentos é feito de madeira trabalhada à mão, com acabamento que lembra os detalhes de um relógio suíço. O volante também é de madeira artesanal, polido até brilhar. Cada detalhe foi pensado para impressionar.
Os assentos são esculpidos ergonomicamente e revestidos em couro de luxo — preto, vermelho intenso ou marfim, dependendo do gosto do proprietário original. O espaço interno surpreende pelo aproveitamento inteligente. Apesar do tamanho compacto externo, há espaço razoável para dois ocupantes, graças ao chassis abaixado que permitiu mais altura interna.
Claro, não espere tecnologia moderna. Os instrumentos são totalmente analógicos, a ignição funciona por magneto (sistema mecânico sem eletrônica) e o câmbio é manual de 4 marchas com alavanca reta. Não há ar-condicionado, apenas ventilação natural. Não há som automotivo, só o ronco do motor. E sabe de uma coisa? É exatamente isso que torna o Type 57SC especial — luxo puro de materiais e execução impecável, sem distrações eletrônicas.

Potência Mecânica Pura
Sob aquele capô alongado vive uma obra-prima: motor 8 cilindros em linha de 3,3 litros com duplo comando de válvulas. O segredo da potência está no compressor Roots — um sobrealimentador mecânico que eleva a força para 210 cv a 5.500 rpm. Para 1936, isso era absolutamente brutal.
O câmbio manual de 4 velocidades envia potência para as rodas traseiras através de uma embreagem multi-disco. O sistema de lubrificação de cárter seco (com reservatório externo de 20 litros) foi necessário para posicionar o motor tão baixo. Essa engenharia permitiu que o Type 57SC alcançasse até 217 km/h — velocidade impressionante até para carros modernos, imagine para os anos 1930.
O consumo fica em torno de 18 a 22 litros por 100 km, o que rende aproximadamente 400 km de autonomia com o tanque de 100 litros cheio. Nada econômico, mas quem compra um Atlantic não está preocupado com isso.
Os freios a tambor foram evoluindo ao longo da produção. Modelos iniciais usavam sistema acionado por cabo, enquanto versões de 1938 já traziam freios hidráulicos Lockheed. A suspensão utilizava amortecedores De Ram — sistema hidráulico adaptável que endurecia em alta velocidade e amolecia em baixa, algo revolucionário para a época.
Ficha Técnica
| Especificação | Detalhe |
|---|---|
| Motor | 8 cilindros em linha, 3.257 cc, DOHC |
| Potência | 210 cv @ 5.500 rpm |
| Sobrealimentação | Compressor Roots tipo “C” |
| Câmbio | Manual 4 velocidades |
| Velocidade Máxima | 217 km/h |
| Peso | 950 kg |
| Aceleração 0-100 | ~10 segundos (estimado) |

Investimento de Arte
Aqui as coisas ficam surreais. Um Bugatti Type 57SC Atlantic pode valer mais de US$ 100 milhões em transações privadas. Para você ter ideia: um Bugatti Chiron Super Sport 300+ novo custa entre US$ 3 e 4 milhões — ou seja, o clássico vale de 25 a 30 vezes mais que o hipercarro moderno da mesma marca.
Os leilões documentam essa escalada de valor. Em 2013, um Atalante Coupé (versão fechada sem a costura dorsal) foi vendido por US$ 8,7 milhões. Em 2022, outro Atalante alcançou US$ 10,3 milhões na Gooding & Company. A versão Tourer (aberta de 4 lugares) vendeu por US$ 4,7 milhões em 2021.
Mas o Atlantic? Esse raramente aparece em leilões. Com apenas 3 exemplares existentes, quando um muda de mãos é em transações privadas entre bilionários e museus. Especialistas estimam que o último Atlantic negociado pode ter superado a marca de US$ 100 milhões facilmente.
A manutenção é desafiadora. Uma restauração completa pode custar mais de US$ 700 mil e levar até 3 anos. A restauração de um simples virabrequim sai por £30 mil ou mais. Peças são limitadas, fabricadas sob encomenda por especialistas como Gentry Restorations no Reino Unido ou Ventoux Moteurs na França.
Porém, a confiabilidade surpreende quando bem mantido. Sem eletrônica para dar defeito, o Type 57SC depende de mecânica robusta. Proprietários usam seus carros principalmente em eventos Concours d’Elegance e rallies de clássicos, raramente em estradas por questões de seguro e preservação.
Perguntas Frequentes
Pergunta: Quantos Bugatti Type 57SC Atlantic existem no mundo?
Resposta: Apenas 4 unidades foram produzidas entre 1936 e 1938. Atualmente, apenas 3 sobrevivem. Uma foi perdida durante a Segunda Guerra Mundial e nunca foi localizada. Cada exemplar vale mais de US$ 100 milhões.
Pergunta: Qual a velocidade máxima do Bugatti Type 57SC?
Resposta: O Type 57SC alcança até 217 km/h, graças ao motor 8 cilindros de 3,3 litros com compressor Roots que gera 210 cv. Em 1936, era um dos carros de rua mais rápidos do mundo.
Pergunta: Quem são os proprietários conhecidos do Bugatti Atlantic?
Resposta: Ralph Lauren possui o exemplar preto original. Outro pertence ao Mullin Automotive Museum na Califórnia. O terceiro Atlantic sobrevivente está em coleção privada. São todos raramente vistos em público.
Pergunta: Por que o Bugatti Type 57SC tem uma costura no meio?
Resposta: A costura dorsal de rebites surgiu porque o alumínio da época não podia ser soldado facilmente. Jean Bugatti transformou essa limitação técnica em marca de design icônica que define o Atlantic até hoje.
Pergunta: Quanto custa manter um Bugatti Type 57SC?
Resposta: Uma restauração completa custa mais de US$ 700 mil. Manutenção anual pode passar de US$ 50 mil. Peças são fabricadas sob encomenda por especialistas. Seguro e armazenamento climatizado são obrigatórios e caros.

O Bugatti Type 57SC Atlantic transcende o conceito de automóvel. É história, arte e engenharia condensadas em 950 kg de alumínio e paixão. Seja pela costura dorsal inconfundível, pelos 210 cv de potência mecânica pura ou pelo valor estratosférico que alcança, este Bugatti representa o que há de mais exclusivo no universo automotivo. Apenas três pessoas no mundo podem dizer que possuem um — e provavelmente nunca vão vendê-lo.
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