Carros Bem Montados

Esse Ferrari HC25 custa mais de R$ 30 milhões, e você vai entender por quê

Único no mundo, o Ferrari HC25 entrega 720 cv de V8 biturbo sem nenhuma eletrificação, encerra a linhagem analógica dos Spiders de Maranello e pode valer mais de R$ 30 milhões.

Ferrari HC25

Ferrari HC25: o último V8 Spider puro da Ferrari chega como peça única

A Ferrari acaba de revelar o HC25, um veículo absolutamente singular criado pelo programa Special Projects da marca. O lançamento aconteceu no dia 15 de maio de 2026, durante o Ferrari Racing Days no Circuit of the Americas, em Austin, Texas.

Não se trata de uma edição limitada nem de um modelo de série. O HC25 é um One-Off, ou seja, existe apenas uma unidade no mundo inteiro. A base mecânica é a da F8 Spider, mas a carroceria, o design e os sistemas foram completamente reinterpretados pelo Ferrari Design Studio.

A proposta é dupla: encerrar com classe a era dos conversíveis V8 biturbo sem hibridização da Ferrari e, ao mesmo tempo, antecipar a linguagem visual dos novos hipercarros da marca, como o F80. Seus pares diretos não são Porsche ou McLaren de produção regular, e sim comissões exclusivas como as da Bugatti e da Pagani.

Chegada ao Brasil? Não se aplica. Existe um único exemplar no mundo, já com dono.

O design da Ferrari HC25 é uma fita preta que corta o carro de ponta a ponta

A primeira coisa que chama atenção na HC25 é a faixa preta brilhante que divide a carroceria de cima a baixo. Ela cruza o capô, desce pelas portas e termina na tampa do motor. Não é enfeite: essa “fita aerodinâmica” esconde as entradas de ar para o arrefecimento dos radiadores e intercoolers, mantendo as superfícies laterais limpas e contínuas.

A cor da carroceria é um cinza fosco chamado Moonlight Grey, que contrasta com o preto brilhante da faixa e com detalhes pontuais em amarelo vibrante. O resultado é uma paleta séria, técnica e sofisticada, muito distante do vermelho que o senso comum associa à Ferrari.

Na dianteira, os faróis de LED são extremamente finos, com módulos nunca antes usados pela marca. As luzes diurnas seguem um formato de bumerangue vertical, acompanhando a curvatura dos para-lamas. É a primeira vez que a Ferrari usa esse padrão luminoso em um projeto desta natureza.

De lado, uma lâmina de alumínio maciço usinado serve como maçaneta e divide visualmente a carroceria sem interromper a fluidez das linhas. Já na traseira, as clássicas lanternas redondas foram substituídas por faixas finas horizontais de LED, no mesmo estilo da Ferrari Roma. O difusor é agressivo, com duas saídas de escapamento trapezoidais. As rodas exclusivas têm cinco raios finos com acabamento diamantado e canais escurecidos, criando um efeito visual de maior diâmetro.

Um cockpit técnico onde fibra de carbono e amarelo substituem o couro

Quem entra na HC25 percebe de imediato que o acabamento não segue o caminho tradicional do couro integral. O interior usa fibra de carbono estrutural em acabamentos foscos e brilhantes, e os bancos esportivos são revestidos por um tecido técnico cinza, não pela costumeira pele que domina os interiores da Ferrari.

Os detalhes em amarelo aparecem em costuras e gráficos nos bancos, desenhando formas de bumerangue que espelham os DRLs da dianteira. A simetria entre interior e exterior é deliberada. O painel de instrumentos mantém o conta-giros analógico centralizado, rodeado por displays de alta resolução, filosofia diretamente herdada da F8 Spider.

Tecnologia focada no piloto, sem telas de infotenimento gigantes

A HC25 não tem telas centrais massivas nem sistemas de condução assistida de alto nível. A filosofia aqui é diferente: toda a interação acontece no volante, onde o tradicional Manettino e os controles essenciais ficam ao alcance sem tirar as mãos do aro.

Conectividade via Apple CarPlay e módulos de telemetria de pista estão disponíveis nos displays laterais ao conta-giros. Os sistemas ADAS se limitam a protocolos de segurança ativa de alta performance, sem interferência corretiva na direção. O objetivo é manter o controle 100% nas mãos do piloto.

Ponto forte: a integração visual entre interior e exterior é coerente e sofisticada, algo raro mesmo em projetos One-Off. Limitação: o espaço interno e o porta-malas seguem as restrições físicas da F8 Spider, com estimativa de 200 litros no compartimento dianteiro, suficiente para duas malas de bordo.

Os bancos esportivos oferecem boa contenção lateral, indicados para uso em pista. No uso urbano diário, a rigidez pode pesar.

720 cv sem eletrificação: o V8 biturbo que define o final de uma era

O coração da HC25 é o motor F154 CG, um V8 de 3,9 litros a 90 graus com dois turbocompressores, montado em posição central-traseira. É o mesmo bloco consagrado na F8 Tributo e no programa 488 Challenge, agora aqui como protagonista de despedida.

A potência máxima chega a 720 cv a 7.000 rpm, com torque de 770 Nm a 3.250 rpm. A potência específica é de 185 cv por litro, número que está no limite superior do que um motor exclusivamente a gasolina consegue entregar sem ajuda elétrica. O câmbio é a DCT de dupla embreagem com 7 velocidades, com tração traseira, e as trocas acontecem em frações de segundo sob aceleração total.

Na prática, o carro vai de 0 a 100 km/h em 2,9 segundos e alcança 200 km/h em 8,2 segundos partindo do zero. A velocidade máxima é de 340 km/h. Para quem se pergunta o que diferencia esse motor dos concorrentes híbridos: ele não tem bateria, não tem motor elétrico, e ainda assim entrega esses números. O segredo está nos turbocompressores twin-scroll com eixos de titânio, que praticamente eliminam o turbo lag.

O sistema de lubrificação por cárter seco permite montar o motor mais baixo no chassi, reduzindo o centro de gravidade. Isso se traduz diretamente em menos rolagem nas curvas e mais estabilidade em alta velocidade.

O consumo estimado fica em torno de 7,69 km/l na média combinada, baseado em 13 litros por 100 km, dado herdado da plataforma F8.

Ficha Técnica — Ferrari HC25

ItemEspecificação
MotorV8 biturbo, 3.902 cc, cárter seco
Potência máxima720 cv a 7.000 rpm
Torque máximo770 Nm a 3.250 rpm
CâmbioDCT 7 velocidades (F1)
TraçãoTraseira
0–100 km/h2,9 segundos
0–200 km/h8,2 segundos
Velocidade máxima340 km/h
Consumo estimado7,69 km/l (combinado)
Pneus dianteiros245/35 ZR 20
Pneus traseiros305/35 ZR 20
Freios dianteirosDisco carbono-cerâmica 398 mm
Freios traseirosDisco carbono-cerâmica 360 mm
Peso estimado1.400 kg (seco)

Um investimento de R$ 30 milhões que tende a valer mais com o tempo

A Ferrari não divulga o valor oficial de projetos One-Off, e nunca divulga. É uma postura deliberada. Mas com base nos históricos de comissões do programa Special Projects e no preço da F8 Spider original, que girava entre R$ 1,7 e R$ 1,9 milhão antes de ser descontinuada, podemos construir uma estimativa sólida.

Somando as horas de engenharia dedicada do Ferrari Design Studio, os moldes exclusivos de alumínio, a carroceria de fibra de carbono em Moonlight Grey fabricada em autoclave e os componentes usinados sob medida, a estimativa de mercado aponta para um valor total entre US$ 4 e US$ 6 milhões, o que equivale a uma faixa aproximada de R$ 22 milhões a R$ 33 milhões na cotação atual. Esse é o número que os especialistas de mercado trabalham, não um número oficial.

A manutenção, nos primeiros sete anos, é coberta pelo programa Ferrari Genuine Maintenance, que inclui revisões, óleo, filtros e velas. Custo direto praticamente zero nesse período. Depois, a realidade muda: a manutenção anual básica deve oscilar entre R$ 16.000 e R$ 28.000, podendo superar R$ 140.000 em anos que exigem a troca dos discos de carbono-cerâmica e dos pneus de ultra-performance.

O seguro é outra categoria própria. Por se tratar de um veículo irreproduzível, as apólices convencionais não se aplicam. Seguradoras especializadas em patrimônio de altíssimo valor trabalham com a modalidade Agreed Value, e o prêmio anual pode chegar facilmente a R$ 150.000 a R$ 220.000.

Vale comprar no lançamento? A pergunta não se aplica aqui, o carro já tem dono e já está vendido. Mas para o colecionador que eventualmente encontrar o exemplar no mercado secundário, a resposta é sim: carros One-Off da Ferrari historicamente se valorizam. A HC25 ainda carrega o peso simbólico de ser o último Spider V8 não-híbrido da marca.

O perfil do comprador ideal: colecionador de altíssimo patrimônio, já inserido no ecossistema Ferrari, que entende o carro como ativo de capital e objeto de desejo ao mesmo tempo.

O que o comprador da Ferrari HC25 precisa saber antes de tudo

Qual é o preço da Ferrari HC25? A Ferrari não divulga oficialmente. A estimativa de mercado aponta para uma faixa entre US$ 4 e US$ 6 milhões, com equivalência aproximada de R$ 22 a R$ 33 milhões.

Quantas unidades da HC25 existem? Apenas uma. É um projeto One-Off do programa Special Projects, desenvolvido exclusivamente para um único cliente ao longo de cerca de dois anos.

Qual o consumo real da Ferrari HC25? Com base na plataforma F8 Spider, o consumo estimado fica em torno de 7,69 km/l na média combinada. Não é o foco do carro.

A Ferrari HC25 chega ao Brasil? Não. Existe um único exemplar no mundo, já entregue ao proprietário. Não há planos de versões derivadas para o mercado brasileiro.

A Ferrari HC25 vale R$ 30 milhões? Depende do que você compra

A HC25 não é para quem precisa de um carro. É para quem quer o último exemplar de uma linhagem que não vai se repetir: V8 biturbo central, sem baterias, sem motores elétricos, sem compromisso com eficiência regulatória. Um conversível que entrega 720 cv de forma totalmente analógica.

Para quem não tem o perfil de colecionador de altíssimo patrimônio, o carro não faz o menor sentido. Para quem tem, é possivelmente o ativo mais raro que a Ferrari vai produzir na próxima década.

O HC25 não é um carro que você compra. É um carro que te escolhe.

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